O caminho de volta

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Semana passada, a leitora Cláudia me mandou um texto maravilhoso da Téta Barbosa Noblat, publicado em 2011 no Jornal O Globo, e eu não podia deixar de compartilhar aqui esse texto que se resume muito a essência do que discutimos neste blog.

Boa leitura:

O caminho de volta – por Téta Barbosa Noblat

Já estou voltando. Só tenho 37 anos e já estou fazendo o caminho de volta.

Até o ano passado eu ainda estava indo. Indo morar no apartamento mais alto do prédio mais alto do bairro mais nobre. Indo comprar o carro do ano, a bolsa de marca, a roupa da moda. Claro que para isso, durante o caminho de ida, eu fazia hora extra, fazia serão, fazia dos fins de semana eternas segundas-feiras.

Até que um dia, meu filho quase chamou a babá de mãe!

Mas, com quase 40 eu estava chegando lá.

Onde mesmo?

No que ninguém conseguiu responder, eu imaginei que quando chegasse lá ia ter uma placa com a palavra “fim”. Antes dela, avistei a placa de “retorno” e nela mesmo dei meia volta.

Comprei uma casa no campo (maneira chique de falar, mas ela é no meio do mato mesmo.) É longe que só a gota serena. Longe do prédio mais alto, do bairro mais chique, do carro mais novo, da hora extra, da babá quase mãe.

Agora tenho menos dinheiro e mais filho. Menos marca e mais tempo.

E num é que meus pais (que quando eu morava no bairro nobre me visitaram 4 vezes em quatro anos) agora vêm pra cá todo fim de semana? E meu filho anda de bicicleta e eu rego as plantas e meu marido descobriu que gosta de cozinhar (principalmente quando os ingredientes vêm da horta que ele mesmo plantou).

Por aqui, quando chove a internet não chega. Fico torcendo que chova, porque é quando meu filho, espontaneamente (por falta do que fazer mesmo) abre um livro e, pasmem, lê. E no que alguém diz “a internet voltou!” já é tarde demais porque o livro já está melhor que o Facebook , o Twitter e o Orkut juntos.

Aqui se chama “aldeia” e tal qual uma aldeia indígena, vira e mexe eu faço a dança da chuva, o chá com a planta, a rede de cama.

No São João, assamos milho na fogueira. Nos domingos converso com os vizinhos. Nas segundas vou trabalhar contando as horas para voltar.

Aí eu lembro da placa “retorno” e acho que nela deveria ter um subtítulo que diz assim: “Retorno – última chance de você salvar sua vida!”

Você provavelmente ainda está indo. Não é culpa sua. É culpa do comercial que disse: “compre um e leve dois”.

Nós, da banda de cá, esperamos sua visita. Porque sim, mais dia menos dia, você também vai querer fazer o caminho de volta.

(Escrito por Téta Barbosa Noblat)

~ Yuka ~

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Menos vs Mais

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Inspirada no post do blog The Busy Woman and the Stripy Cat, vou escrever sobre o que eu quero MENOS e o que eu quero MAIS da minha vida:

MENOS

  • internet
  • reclamação
  • bagunça
  • estresse
  • ansiedade
  • objetos
  • livros impressos
  • consumismo

MAIS

  • amor
  • silêncio
  • simplicidade
  • ócio
  • disposição
  • tempo com as filhas
  • alimentação saudável
  • exercício físico
  • e-books

Olhando assim, são coisas simples né?

~ Yuka ~

Suficiência = Gratidão

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Já parou para pensar o quanto é suficiente para você viver com qualidade?

Nós, seres humanos, temos a tendência de sempre estarmos insatisfeitos com o que a vida nos oferece. Se antes recebia R$1.000 de salário e hoje ganha R$5.000, continuamos querendo mais. E se passar a ganhar R$10.000, será que continuaremos querendo ganhar mais? Provavelmente sim.

Nós temos necessidades básicas (um teto para morar, comida para nos alimentar, roupa para nos aquecer), mas também não podemos ignorar que temos desejos.

Como equilibrar de forma saudável a necessidade e o desejo, sem pecar pelo consumismo?

Pra mim, foi muito importante conhecer a minha própria suficiência (porque a minha é diferente da sua necessidade). A partir do momento que alcancei o equilíbrio entre necessidade e desejo, surgiu o sentimento de gratidão. E frases como “Já tenho o suficiente, obrigada” começaram a ser frequentes.

– Já tenho o suficiente, não preciso mais comprar nada por enquanto.

– Já tenho um celular bom o suficiente, não preciso competir com o vizinho.

– Já tenho um salário suficiente, não preciso gastar mais tempo de vida para ganhar mais.

Não sei se é cultural do nosso país, mas tenho a impressão de que as pessoas confundem esse sentimento de suficiência com comodismo, de que nunca podemos estar satisfeitos: precisamos estudar mais, ter um salário mais alto, ter um emprego melhor, um cargo mais alto, um carro mais caro, uma casa maior etc.

O segredo de viver bem com menos é apreciar o que já possui e sentir-se satisfeito, grato, e nunca se comparar com o outro.

~ Yuka ~

O que de fato significa não ter muitas opções de roupas no guarda-roupa

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Já faz alguns anos que estou com um guarda-roupa enxuto. E com isso percebi que além da economia em dinheiro, as escolhas vão se tornando cada vez mais simples.

Ao invés de ter vários sapatos, ter somente aqueles que são confortáveis e que eu realmente uso agiliza na hora da escolha.

Ao invés de me perder entre 20 blusas pretas, tenho somente aquela que fica perfeita no meu corpo. Ter menos roupa no guarda-roupa significa menos roupa para amassar, menos roupa para lavar, menos roupa para passar, espaço para guardar, perco menos tempo decidindo qual roupa usar.

Com o tempo, percebi que as minhas compras são feitas para substituir as atuais. Ou seja, compro um sapato preto quando o sapato preto que tenho ficou desgastado. Compro uma meia-calça quando a que eu tenho fica velhinha.

Esses dias minha mãe comentou que a roupa que vou passear, é a mesma roupa que vou para o trabalho ou que vou à feira. Sim. Minhas roupas estão bem mais simples. Como não tenho tantas opções, uso a mesma roupa em vários eventos e só capricho nos acessórios (colares, brincos, pulseiras, echarpe etc).

Tomar a decisão de diminuir as opções num período em que o que mais se tem são opções, parece soar estranho. As pessoas podem me perguntar “Por que escolher esta blusa se pode ter outras melhores?”, “Por que ter apenas 1 calça preta, se pode ter uma calça preta com brilho, outra boca de sino, outra skinny, outra de couro”…

Porque simplesmente é mais fácil não precisar tomar tantas decisões no dia. Claro que não sou o Steve Jobs ou o Mark Juckerberg que usam somente 1 modelo de camisa e calça. Mas o fato é que não ter muitas opções, realmente facilita a administração do guarda-roupa e me faz ter o privilégio de usar todas as roupas que tenho com uma frequência muito maior.

~ Yuka ~

 Destralhando mais maquiagens: kit básico

Em 2013 eu publiquei um post sobre as maquiagens que eu tinha. Na época, destralhei o que acreditava ser bastante coisa.

Após 3 anos, minha gaveta de maquiagem está ainda mais enxuta.

Hoje tenho:

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  • 1 lápis preto para olhos
  • 1 delineador preto para olhos
  • kit de sombras (hoje, percebo que foi desnecessário comprar o estojo completo, pois uso somente algumas cores. Na próxima compra, vou comprar sombras avulsas)
  • 1 base para o rosto
  • 1 protetor solar facial
  • 1 creme para não borrar os olhos
  • 4 batons (mas 3 é a quantidade ideal para mim)
  • 2 blushes (um tom mais romântico e um mais corado)
  • 2 bronzer (também estou terminando de usar, depois vou ficar somente com 1)

Como podem perceber, em 2013 eu tinha 4 gavetas de maquiagens. Hoje, tenho 1 gaveta. Ano que vem posto como está a minha gaveta de novo.

~ Yuka ~

Consumir menos é uma habilidade que pode ser desenvolvida

consumismo

Conheço muitas pessoas que são viciadas no consumismo.

Consomem sem necessidade, consomem para mostrar um estilo de vida que não pode sustentar, consomem sem ao menos pensar se aquilo é realmente necessário ou supérfluo. Consomem porque “todo mundo tem”, porque “eu mereço”, ou “porque sim”.

Acredito que o consumo excessivo é um vício, muito parecido com a das drogas ou do álcool, pois cria dependência. Essas pessoas PRECISAM comprar, PRECISAM gastar, mesmo sabendo que não precisam de mais nada.

Para ser viciado no consumismo, não há nenhuma relação com a condição social do indivíduo. A pessoa pode ser pobre ou rica, que o seu instinto de gastar estará lá, na espreita, só aguardando o momento certo para sacar o cartão de crédito.

Mas aí vem a parte boa… dá para desenvolver a habilidade de parar de consumir. Que foi o meu caso.

Eu não nasci sabendo como consumir de forma eficiente. Cometi muitos excessos, compras desnecessárias, não gostava de voltar para casa com as mãos abanando. Mas aos poucos aprendi a reduzir e hoje eu sou o que vocês conhecem.

Com o tempo percebi que o conceito reduzir é muito pessoal. O que é suficiente para mim pode não ser para você. E também o que foi suficiente para mim no ano passado, pode ser excesso neste ano (por exemplo, eu achava que 3 blushes eram suficientes para mim em 2013, mas hoje, 1 blush já me basta).

Eu aprendi a consumir menos e desenvolvi essa habilidade com o tempo.

Ao consumir menos, a gente vai descobrindo que na verdade não somos nós que possuímos os objetos, são os objetos que nos possuem.

E ao consumir menos, a gente descobre que ganhamos mais tempo, gastamos menos energia, nos preocupamos menos e ainda poupamos dinheiro.

Se você ainda está na fase de destralhar os objetos da sua casa, não se desespere, nem desanime.

Viver com menos é uma habilidade que pode ser desenvolvida aos poucos.

O segredo é encontrar o equilíbrio entre a satisfação e o desejo. Assim, você não tem aquela sensação de que está deixando de se divertir, muito pelo contrário, passa a perceber que precisa de muito pouco para ser feliz.

~ Yuka ~

Reduzindo a quantidade de esmaltes

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A pedido da leitora Ana Paula, hoje o post é sobre os esmaltes que tenho.

Lembram que eu tinha uma maleta de esmaltes? E que eu tinha em torno de 40 esmaltes e vários acessórios para as unhas?

Hoje, a minha caixinha de esmaltes se resume a esta bandeja aqui. Tento comportar somente o que é realmente necessário. Alguns esmaltes, um alicate, espátula, lixa, algodão, acetona, enfim, poucas coisas.

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Eu comentei em um dos posts que parei de assistir televisão. Não saber as cores da moda, fez toda diferença para ter poucos esmaltes. Agora compro somente cores que sei que ficam bem em mim, e não as cores que estão na moda. 🙂

~ Yuka ~