Minimalismo: um exercício para o autoconhecimento

autoconhecimento

Desde que passei a aderir o estilo de vida minimalista, sabia que algo estava fora da curva, alguma coisa martelava na minha cabeça, mas não sabia exatamente o que era.

Aos poucos, percebi que o que me incomodava era o consumismo em excesso que estava à minha volta.

Comecei a desapegar de várias coisas, desde roupas, sapatos, bolsas, objetos de casa, eletrônicos, produtos de beleza, maquiagem… e junto com o desapego, a alma foi ficando cada vez mais leve.

Em contrapartida, passei a perceber como as pessoas ao meu redor davam mais valor para a roupa que eu estava vestindo do que o que eu tinha a dizer. Pessoas entravam na minha casa desapontadas por eu não morar em um apartamento adequado para a minha idade ou meu cargo público, ou quando descobriam que eu não tinha carro, nem apartamento próprio, por preferir utilizar o transporte público e morar de aluguel por sentir-me mais livre.

Foi através dos olhares curiosos das pessoas que eu constatei o que já sabia: de como o mundo é movido pelo consumismo e ostentação. Trabalhamos para produzir, trabalhamos para consumir, consumimos para mostrar aos outros, e tudo gira em torno do excesso.

A moda agora é ostentar a felicidade no Facebook e Instagram, estar sempre com a roupa do momento, roupas descartáveis que duram apenas 1 estação; alimentos industrializados, fáceis de serem comprados e absorvidos pelo nosso organismo, fazendo com que depois de 2 horas já estejamos com fome novamente. Eletrodomésticos e eletroportáteis que propositalmente duram 3, 5 anos com a obsolescência programada.

Olhe ao seu redor. Você é realmente autêntico? Ou está seguindo a manada?

Será que o fato de querer um apartamento é um sonho seu? Ou um sonho que foi construído para ser seu?

Ser funcionário público traz estabilidade? Ou nos aprisiona pelo medo de trocar de emprego?

Veja as propagandas de carro. Brasileiro é louco por carros? Ou é louco por status?

Desconstruir uma teoria é muito mais difícil do que imaginamos.

O minimalismo tem me trazido esse senso crítico.

Ao não comparar a minha vida, minha roupa, meu salário, meu estilo de vida com a dos outros, comecei a descobrir o que de fato me faz feliz. E essas teorias pré-concebidas foram sendo derrubadas uma por uma.

E desde então, o minimalismo tem sido um grande aliado para o meu autoconhecimento.

~ Yuka ~

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As suas decisões são realmente baseadas na sua felicidade?

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Ou é baseada no que os outros querem de você?

Você se veste do jeito que veste porque é confortável ou porque quer estar na moda? Se a moda mudar hoje, você muda seu estilo de vestir?

Você decidiu seguir sua profissão por uma decisão sua ou familiar?

Você vai comprar um carro porque é o que você realmente queria ou é para mostrar para outras pessoas de que é bem sucedido?

Você vai casar porque realmente ama aquela pessoa ou porque todo mundo está casando?

Você vai comprar uma casa porque é um sonho seu ou é o sonho da sua mãe, do banco, da financiadora?

Com qual intuito você posta no Facebook, Snapchat, Instagram?

Você se sente confortável na sua pele?

Quem comanda sua vida? Você ou os outros?

“Sua vida é o resultado das escolhas que faz. Se não gosta da sua vida, está na hora de começar a fazer melhores escolhas.”

~ Yuka ~

Matrix e a sociedade do consumo

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Você já assistiu o filme Matrix?

Num dos trechos mais importantes do filme, há uma cena em que Morpheus encontra-se com Neo para explicar que esse mundo em que vivemos, não é um mundo real. É um mundo criado pelo Sistema que controla a mente humana. Somos na verdade escravos desse Sistema. E Morpheus dá a oportunidade para Neo escolher tomar a pílula azul, que fará com que ele continue vivendo a vida de antes, superficial e de ilusão; ou escolher tomar a pílula vermelha, que dará a oportunidade de conhecer o mundo real.

Fico olhando a minha volta toda essa ostentação, carro importado, roupas de grife… Para quê? Para quem? Será que precisamos de tudo isso mesmo? Precisamos gastar nosso salário suado comprando um sapato de R$400,00? Será que andar em um carro popular torna uma pessoa menos importante do que aquele que anda de carro importado? Precisamos trabalhar tantas horas por dia? Voltar para casa enfrentando o trânsito, pedir uma pizza porque está tão exausta para cozinhar. E no dia seguinte, começar tudo de novo…

No blog Obvius, há um post que explica isso muito bem, como vê nos trechos a seguir:

“Como prisão tradicional, haveria repulsa e todos combateriam tal prisão. No entanto, quando se criam gaiolas enfeitadas e cheias de distrações, passamos a não perceber (ou não querer perceber) que, embora existam atrativos, ainda estamos em uma prisão. E como toda prisão, há controle, coerção e cerceamento de liberdade (…). Alguns indivíduos estão tão habituados àquela realidade que defenderão o sistema (…). Esse fato demonstra que a força do dominante consiste no nosso consentimento, uma vez que aceitamos uma realidade que nos é passada sem o menor poder de questionamento. Pelo contrário, procuramos aumentar a nossa dependência e alienação ao sistema, o que em uma sociedade de consumo obviamente demonstra-se pelo consumismo (…). Há de se considerar que o problema não é o consumo, mas sim, o valor simbólico que é dado às mercadorias (…), isto é, pela capacidade que certas mercadorias têm de elevar o indivíduo perante os outros (…). O que não percebemos (…) é que a nossa sociedade consumista, cria um exército de servos voluntários, que aceita os grilhões impostos pelos dominantes através da publicidade, como se fossem soluções mágicas de felicidade. Tomando suas pílulas azuis todos os dias, distanciam-se de si mesmos, e portanto, do autoconhecimento, tão necessário à libertação, já que, como dito, a libertação é individual e se o indivíduo não busca autoconhecer-se a fim de pensar de forma crítica o mundo que o circunda, torna-se impossível enxergar a Matrix (…). A coragem é o que permite que alguns homens lutem pela liberdade daqueles que se acham livres por poderem escolher entre o Bob’s e o McDonald’s (…). Pois como disse Goethe: não existe pior escravo do que aquele que falsamente acredita estar livre.”

Toda essa explicação anterior para dizer que eu tomei a pílula vermelha na minha licença maternidade. Foi quando a ficha caiu e descobri que há algo de errado com o mundo.

Quando tento conversar esses assuntos com algumas pessoas, muitas me acham doidinha, outras ficam indignadas dizendo que tudo isso é necessário para que não fiquemos no ócio, que precisamos gerar emprego, movimentar a economia do país, etc. Como se movimenta a economia quando 1% da população global detém mesma riqueza dos 99% restantes?

Será que estou errada quando critico esse Sistema que nós mesmos criamos e ajudamos a manter? Em achar errado uma sociedade que mais valoriza um jogador de futebol, uma socialite, um ex-BBB do que um pesquisador, um bombeiro ou uma vó que cuida do neto? Em achar errado ter que trabalhar 10 horas por dia quando o que mais queria era ficar com a minha filha que está doente? Ter que trabalhar por 10 horas seguidas quando se tem um ente querido internado com uma doença grave no hospital? Você acha isso normal? Eu acho isso muito errado. Muitas pessoas iriam dizer que “é só largar o emprego”. Só que estou presa nesse Sistema. Sou uma escrava desse Sistema. E não posso largar o emprego porque tudo nessa vida envolve dinheiro, inclusive remédio, internação e alimentação, já que basicamente meu dinheiro vai para 3 lugares: bancos, governo e empresas.

E você? Se tivesse opção para escolher, qual pílula escolheria? A vermelha ou a azul?

~ Yuka ~

O que é ser “bom aluno”, “bom filho” para você?

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Durante muitos anos eu era uma pessoa insegura, com muito medo de dar opiniões, pois acreditava piamente de que eu era burra (e feia), por influência da minha irmã mais velha.

Também não questionava os professores, pois foi assim que eu aprendi na escola: os professores falam, os alunos ouvem e obedecem.

O tempo passou, passei num concurso público muito disputado há mais de 10 anos, mas a insegurança continuava lá no fundo.

Foi meu marido que me mostrou que há vários tipos de inteligência. E que eu só não me encaixava no sistema educacional tradicional da escola.

A minha inteligência, não era aquela que dá nota 10 na prova. Eu tinha dificuldades em decorar e interpretar textos, consequentemente, nunca tive notas altas.

A minha inteligência, é a intrapessoal (inteligência relacionada ao autoconhecimento e ao equilíbrio interior, inclusive quando a pessoa se encontra em situações difíceis. O ex-presidente sul-africano Nelson Mandela é um de seus melhores exemplos – fonte), conhecimento esse que tem sido muito útil na minha vida pessoal e profissional.

Tenho muita facilidade de planejar e prever algumas coisas com antecedência. Tanto que meu marido brinca que eu tenho visão além do alcance e que meu lema deveria ser: “espada justiceira, dê me a visão além do alcance”, do Thundercats.

Queria também deixar claro que não sou contra o ensino. Acredito que a educação é a base de uma sociedade madura, vide países que investiram pesado na educação. Eu sou a favor do ensino e da educação, mas não acredito que a educação dos moldes atuais seja um método adequado.

A educação tradicional quer colocar todo mundo na mesma forma. A escola ensina a não questionar, a obedecer, a aceitar, a decorar. Não incentiva a criar, a discutir, a questionar.

Aprendemos a repetir o que os outros falam sem refletir o que estamos falando. A televisão, a mídia, as indústrias e o governo fala que tal coisa vai ser bom para a sociedade (mesmo isso sendo péssimo), e todos repetem que isso vai ser bom, e assim vamos sustentando o sistema, pessoas que protegem com unhas e dentes a dependência do sistema de contas. E não percebemos como somos manipulados diariamente.

Todos nascemos originais e morremos cópias. – Carlos Jung

Onde eu quero chegar com tudo isso, é: quando você for dar bronca no seu filho, talvez ele também só não se encaixe no sistema de ensino atual. Ao invés de avaliar somente as notas altas, devemos aprender a valorizar os outros tipos de inteligência.

Somos mais de 7 bilhões de pessoas no mundo. Cada pessoa com uma habilidade e inteligência diferente da nossa. Cabe a nós, pais, ter a humildade de respeitar as diferenças individuais.

Quem tiver interesse, tem um texto bem bacana sobre os 7 pecados do nosso sistema de educação forçada.

~ Yuka ~

 

Licença-maternidade: o período sabático que a minha filha me deu

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Muitas pessoas falam que a licença-maternidade é um período único. Um período mágico para curtir de fato a maternidade. Cuidar do seu bebê, aprender a cuidar de um novo ser, aprender a ser mãe.

No meu caso, foi tudo isso sim, mas também teve mais uma coisa.

Quando estava de licença-maternidade, fiz a maior descoberta da minha vida. Talvez eu já soubesse, mas não queria ouvir, não estava pronta para entender…

Como quem acorda de uma hipnose, eu descobri que era uma ESCRAVA.

Eu não queria mais trabalhar por 8 horas todos os dias, mas não havia outra opção. Eu voltei a trabalhar porque precisava pagar as contas do mês.

Só que eu não queria mais trabalhar por obrigação, não queria deixar minha filha gripada na creche… mas eu precisava registrar meu crachá na empresa onde trabalho… foi quando compreendi que eu era uma escrava do sistema.

Nós nascemos escravos e a maioria de nós morremos escravos. Com 6 meses, o bebê meio que já é obrigado a ir para a escolinha para que os pais possam trabalhar. Desde então, a maioria de nós nunca mais para de ir para a escola até se formar na faculdade. Depois temos que escolher uma profissão e o resto da história vocês já sabem.

E por querer fugir desse sistema, eu pensei muito durante a minha licença-maternidade de que forma poderia encontrar alternativas para escapar dessa realidade que eu não estava mais disposta a pagar.

A alternativa que encontrei foi rever todo o meu orçamento para nos aposentarmos aos 50 anos, ou seja, daqui a 15 anos. Em 15 anos, terei a minha carta de alforria e poderei trabalhar no que gosto, e não escolher o trabalho por causa do salário. Mas não faço disso uma tortura. Continuamos tendo nossos momentos de lazer, pretendemos ainda fazer muitas viagens, nos divertir, enfim, viver.

Eu só quero ter a oportunidade de descobrir o que gosto. Eu sempre achei que poderia trabalhar num santuário de elefantes… Ser marceneira para construir cozinhas infantis… Eu poderia pintar muro de escolas, costurar roupas… mas eu fico no escritório mais de 10 horas por dia, e volto exausta para casa.

Eu quero ter a oportunidade de me descobrir.

Até então, eu achava que o período sabático era ligado a viagens, algo caro, inacessível.

Quando fui ver a definição neste site aqui, vi que o que até então eu chamava de “presente”, era na verdade, um período sabático.

O período tem que partir de uma motivação pessoal: seja repensar a vida, resgatar o sonho de estudar fotografia, trabalhar com crianças carentes da Ásia ou até conhecer o mundo. E, diferentemente do que muitos pensam, nem sempre precisa durar um ano. “Mas o tempo necessário para produzir mudança. A duração vai depender de cada objetivo”.

Foi no período da licença-maternidade que eu percebi a minha maior mudança mental e comportamental.

Acredito que a minha filha trouxe esse presente para mim. Foi por não querer ficar longe dela que eu acordei, alcancei um nível maior de consciência. Eu deixei de ser vítima para correr atrás do que eu acredito. Foi ela que trouxe isso pra mim.

~ Yuka ~

 

As mentiras que contam para você

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Desde criança, eu aprendi que tinha que estudar. Mesmo não entendendo as matérias, não entendendo para que serviria a fórmula de báskara, não tinha o direito de questionar o professor, cabia a mim decorar e tirar uma nota boa o suficiente para passar de ano.

Depois tive que escolher uma curso para frequentar a faculdade. Nos meus 16 anos de idade, na idade da indecisão, nem sabia direito o que eu deveria fazer, mas uma coisa me disseram: quem não estuda, não vai para a frente. E eu queria ir para a frente, então escolhi um curso qualquer, não muito difícil para entrar, e ingressei numa faculdade pública.

Comecei a trabalhar cedo, mas os mais experientes sempre falavam para eu estudar mais para prestar um concurso público, pois a estabilidade seria o melhor presente que eu poderia ganhar. E assim o fiz.

Eu, que gostava tanto de ler, quando passei a trabalhar por 8 horas, vi que não sobrava mais tanto tempo assim para o lazer, muito menos para a leitura, e passei a assistir mais televisão, pois era mais fácil e (principalmente) rápido assistir um telejornal do que ler um jornal, era mais fácil assistir um filme do que ler um livro inteiro. E eu comecei a ser induzida pelas propagandas e passei a ser uma consumista.

Com essa falta de tempo, passei a desejar loucamente que o fim de semana viesse logo, então o relógio resolveu me ajudar e as semanas começaram a passar rápido. Só que não foram só as semanas que passaram rápido. Os anos passaram tão rápido que quando vi, já tinha 25. Quando percebi, já estava com 35.

Também comprei um apartamento financiado, pois todos compram, é um símbolo para a vida adulta. Financiei em 30 longos anos, pois dinheiro de aluguel, que isso, é um dinheiro jogado no lixo, enquanto as parcelas do financiamento é um dinheiro pago para você mesmo.

Foi só quando minha filha nasceu que eu saí dessa hipnose. Eu estava seguindo a manada, como uma zumbi, fazendo o que todos mandam fazer, sem questionar, de que trabalho deve ser o nosso sobrenome, e a família… bom, família a gente cuida no tempo que sobra.

Hoje minha cabeça está completamente diferente. Passei a avaliar com cuidado que vida quero levar, e comecei a estudar finanças para sair dessa armadilha do consumo e mais uma vez, descobri as inúmeras mentiras contadas pelas pessoas e mídias.

Sempre ouvi dizer que rico é desonesto. Rico ficou rico puxando tapete dos outros e pisando em cima das pessoas. Ouvi também que é bonito ter dívidas, que é normal gastar o dinheiro para desestressar, afinal, o trabalho é duro e merecemos um mimo. Se pagou uma jóia em 12 vezes, isso é sinal de esforço, de merecimento. Se compramos uma bijuteria de 10 reais, é coisa de pobre.

Repetem o que a mídia bombardeia sem nem ao mesmo questionar se aquela informação é verdadeira. Bom, se passou no Jornal Nacional, deve ser verídico, né?

Sei que cada um tem o seu tempo para sair da hipnose. Eu mesma demorei 34 anos para finalmente entender como eu era manipulada pelo sistema. Alguns percebem mais cedo, outros, morrem sem nunca ter percebido isso.

Ouço muitas pessoas pobres repetindo discurso de gente rica. Ouço muitas pessoas defendendo teorias que se aplicadas, vão prejudicar a elas mesmas.

Não acredite em tudo o que você lê por aí. Não acredite em tudo o que se repetem por aí. Durante muitos anos, eu acreditei em todas as mentiras que me contavam, sem nunca ao menos questionar se aquilo era realmente válido para mim. Analise se aquela teoria, se aquele discurso serve para você.

Muitas vezes, você vai se surpreender ao perceber que a maioria das regras não servem para você.

~ Yuka ~

A consequência de viver sem televisão

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Sim, é possível viver sem televisão.

Eu, que era viciada em televisão, noveleira assumida, consegui parar de assistir e confesso que não sinto mais falta.

Após mais de 16 meses sem assistir televisão, olha as coisas que eu percebi:

  • a vontade de fazer compras por impulso cessou completamente. Não assistir televisão significa não ter acesso a comerciais que vendem perfumes, tênis, promoções de eletrodomésticos… Não assistir comerciais, significa não sentir pressão para comprar ovos de Páscoa, presente para o Dia dos Namorados, não ficar nem sabendo das “promoções imbatíveis”… Não assistir novela significa não saber a roupa que está na moda, a cor do esmalte do momento e os acessórios mais pedidos de uma determinada atriz famosa. E sem todas essas influências, passei a me preocupar em roupas que fiquem bem no meu corpo, independentemente da moda do momento.
  • depois que parei de assistir televisão, fiquei mais crítica e observadora. Comecei a ler notícias que antes não eram veiculadas na mídia, ou era passada de outra forma. E percebi como a mídia induz e (até mesmo) manipula as notícias. Notícias que leio pela internet de uma forma, é passada de outra forma pela televisão, ou simplesmente não é passada. Noticiam sobre coisas que julgo não ser importantes para desviar a atenção dos problemas importantes. Pode uma coisa dessas?
  • a maioria da mídia popular é de direita. Globo, Veja, Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, Abril, Record, Isto É, SBT… Aprendi a ler conteúdos de esquerda para saber os dois lados da história, para finalmente tirar a minha própria conclusão. Antes, eu assistia aos telejornais e interpretava aquilo como verdade absoluta. Hoje vejo que não é bem assim.

Já ouvi dizer que a televisão nos deixa mais burros… não posso afirmar que é uma verdade, mas no meu caso, após mais de 1 ano sem assistir televisão, percebo que estou muito mais atenta às coisas que acontecem ao meu redor.

Hoje eu procuro as notícias que julgo ser importantes para mim.

Sendo que antes, era a televisão que selecionava as notícias que julgava ser importante para mim.

~ Yuka ~

 

Vivemos na era do excesso de exibição

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Na minha opinião, esse excesso de exibição é um saco.

Sem perceber, a maioria das pessoas colaboram e sustentam esse sistema vicioso que é o excesso de exibição ao postar a vida nas redes sociais com o intuito de enaltecer o próprio ego e fazer auto-promoção para mostrar o quanto é feliz, que tem uma família unida, filhos maravilhosos e perfeitos, ou que está no aeroporto prestes a viajar, que freqüenta um restaurante bacana, mostra foto do seu amor eterno, dos seus vários “amigos”… É uma vida narcisista. É uma competição silenciosa de quanto mais curtidas, mais “popular” a pessoa se torna.

Comprar (ou ganhar) algo e postar nas redes sociais, traz status. Viajar e mostrar as fotos dos momentos especiais, provoca inveja. Doar sangue e tirar uma foto para postar nas redes sociais faz de você uma pessoa altruísta. Fazer (ou receber) declarações de amor nas redes sociais torna você uma pessoa especial.

Olha meu namorado novo! Olha o anel de noivado que eu ganhei! Olha o carro que eu comprei! Olha pra onde eu viajei! Olha como pareço ser inteligente! Olha como pareço ser feliz!

As pessoas vão criando uma imagem do que você quer que as pessoas pensem. Acham você rico, acham você extrovertido, acham você aventureiro, acham que tem uma vida perfeita, etc, mas muitas vezes o que se publica não condiz com a realidade.

Parece que as pessoas levam uma vida que parece ser uma eterna festa, uma felicidade ininterrupta, uma alegria exagerada.

Eu conheço muitas pessoas que parecem ser felizes nas redes sociais, mas que na vida real não é bem assim.

Eu sempre tive muita clareza de que a vida das pessoas não é um mar de rosas como parece ser. Por isso, quanto mais discreta é uma pessoa, mais valiosa ela se torna pra mim. Um rico que não ostenta, recebe o meu respeito. Um marido que cuida da esposa ajudando nas tarefas de casa ganha um milhão de pontos a mais do que um marido que faz declaração de amor em público. Uma pessoa que faz trabalho voluntário sem divulgar isso para ninguém, merece a minha admiração.

Ao invés de viver de postagens para PARECER feliz, prefiro me concentrar na vida real para SER feliz.

~ Yuka ~

O quanto somos influenciados?

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Fonte

Hoje o post é uma reflexão do quanto somos influenciados pela mídia e também pelas pessoas.

Durante a minha licença maternidade descobri o prazer de cuidar da minha vida (porque no trabalho, cuido da vida dos outros), arrumar a casa, cuidar do marido, passear com a minha filha, curtir os meus artesanatos. E também o prazer de ter TEMPO para pensar na vida.

A maioria de nós, trabalha de 8 a 10 horas por dia, sobrando pouco tempo para o lazer. Esse lazer muitas vezes é transformado em assistir a televisão. Só que: televisão = propaganda. Nós não assistimos ao o que queremos, e sim ao que “eles” querem.

Não ter tempo para pensar é o maior triunfo das indústrias. Se estamos sempre cansados e sem tempo, acabamos por não questionar, pois não pensamos na conseqüência daquela atitude. Somos movidos em massa, somos como um rebanho.

Aprendemos desde cedo que não podemos questionar as autoridades, que devemos obedecer. Não há diálogos nas escolas e no trabalho, muitas vezes só monólogos dos professores e chefes.

Há alguns anos, comprei uma bolsa de uma marca que eu considero cara, com a justificativa de que era uma bolsa de qualidade. Hoje não vejo o por quê de ter comprado, e vou explicar o motivo.

Quando vou em eventos da minha área, vejo a maioria das mulheres usando uma bolsa desta marca. E depois que percebi isso, sinceramente, sinto um certo mal-estar. É como se todas nós fossemos ovelhas, tão previsíveis, com comportamentos tão padronizados.

“Compre essa marca”, “essa marca é um luxo”, “essa marca é para poucos” e daí gastamos nosso salário em coisas que nos trazem status. Quantas vezes não compramos um objeto pensando em nos promover (mesmo que seja de forma inconsciente)? A maior prova disso são os logotipos visíveis, por exemplo, da bolsa que falei agora há pouco.

Eu considero que eu me antecipei ao ter comprado a bolsa. E doei porque não me identifico mais com esta marca. E desde então quando vou em eventos e reuniões, uso uma outra bolsa que eu tenho, esta, por sua vez, não ostenta a marca.

Eu não quero mais seguir o rebanho.

E você, quantas vezes não comprou algo só porque seu colega/amigo/parente tem algo e você desejou ter também? Já parou para pensar se era realmente o que você queria? Ou será que foi induzido por querer ter status ou fazer parte de uma “tribo”?

~ Yuka ~

Escravidão disfarçada?

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Toda vez que eu estou no meu trabalho e vejo o sol, os passarinhos cantando e vejo que o tempo está bom, fico me perguntando o que estou fazendo dentro de um escritório…

E comecei a me perguntar o por quê de trabalharmos 8 horas por dia.

Segundo este site, na Revolução Industrial (século 18) as fábricas funcionavam sem parar. Para tornar tudo o mais eficiente possível, as pessoas tinham que trabalhar mais, entre 10 a 16 horas. Até que uma pessoa chamada Robert Owen começou uma campanha de que o ideal era “oito horas de trabalho, oito horas de lazer, oito horas de descanso.” As empresas perceberam que apesar de ter reduzido as horas de trabalho, a produtividade dos trabalhadores manteve estável, incentivando outras empresas a adotarem o mesmo padrão de 8 horas de trabalho.

E desde então, trabalhamos 8 horas por dia.

Agora que estou com uma filha, fico matutando isso na minha cabeça… demoro 30 minutos para ir ao trabalho, mais 30 minutos para voltar (que eu agradeço de joelhos, pois para quem mora em São Paulo, o “normal” é demorar 1 hora, 1 hora e meia só para ir ao trabalho). Somando as 8 horas de trabalho e 1 hora de almoço, fico fora de casa por um período de 10 horas. E quem ficará com a minha filha nessas 10 horas? Uma outra pessoa.

Trabalhamos 10 horas por dia sem ver a luz do dia. Trabalhamos 10 horas por dia para ter dinheiro o suficiente para que uma outra pessoa cuide dos nossos filhos.

Muitas profissões só existem por causa da bagunça que fazemos com o planeta. Se fossemos honestos, não precisaríamos de advogado, juiz, promotor, … Se fossemos honestos não precisaríamos de polícia, delegado, carcereiro, espião… Se não tivéssemos o costume de consumir e ostentar tanto, não precisaríamos de tantos shoppings, tantas indústrias, tanto desmatamento, tanta poluição, não geraríamos tanto lixo… enfim…

Acabamos construindo uma sociedade muito doentia.

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Como eu tento fugir disso tudo?

Primeiro: Não assistindo mais televisão. Desta forma, EU controlo o que assisto, e não ELES. Não assistir a propagandas comerciais me fez perceber que não sinto mais “falta” de produtos novos, pois nem fico sabendo da existência deles. Isso é ótimo!

Segundo: Não freqüentando mais shoppings. Olhar as vitrines dos shoppings faz ter vontade de consumir mais e mais, mas será que precisamos mesmo comprar?

Terceiro: Lendo notícias alternativas. As mídias atuais (Globo, SBT, Record, Veja, Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, UOL, CBN, Jovem Pam, Gazeta, IG, Terra, Yahoo, etc) são todas da direita, ou seja, na maioria das vezes, lemos apenas jornais com apenas um ponto de vista. Gosto de ler jornais da esquerda para saber o outro lado e a partir daí, tirar a minha própria conclusão.

Quarto: Tento sempre questionar o por quê de algumas teorias. Por que trabalhamos 8 horas? Quem inventou o dinheiro? Por que as pessoas falam que bebê tem medo do escuro se no útero não tinha luz? Pois já percebi que muitos de nós repetem algumas tarefas, simplesmente porque não nos foi ensinado questionar.

Copiei um parágrafo do blog Clube dos Poupadores que define muito bem a escravidão disfarçada.

Em todos os países, a grande massa populacional é educada para desejar a segurança abrindo mão da prosperidade. As escolas e universidades foram construídas para formar bons funcionários. O professor faz o papel do chefe. Os alunos devem aprender a obedecer o chefe, respeitando regras e executando as ordens dadas pelos professores. Os estudantes são treinados a decorar as informações sem questionar. Passamos muitos anos fazendo provas para aprender como executar tarefas exatamente da forma que foram ensinadas, sem perguntas e dentro de um tempo limitado. O nosso desempenho é medido através de provas e notas, usando critérios que depois serão utilizados nas empresas para avaliar o trabalho que fazemos. 

Já percebeu que você esqueceu de quase tudo que aprendeu na escola? Tirando ler, escrever e fazer cálculos básicos, esquecemos de anos de estudos. Isso não fará muita diferença. Dentro das empresas, as pessoas irão decorar processos, serão treinadas, irão respeitar regras e terão que executar tudo que for mandado, exatamente como foi mandado, sem questionamentos. Se você aprendeu a fazer isso na escola, parabéns, o objetivo era esse mesmo, você provavelmente é um bom funcionário.

Agora pare para pensar um pouco. Não é de se questionar a maneira como vivemos hoje?

~ Yuka ~