Turismo e o seu incrível efeito manada

Paris
Fonte

Quando fui para Paris, eu não visitei os principais pontos turísticos, como mandam os sites de guias de turismo.

Eu não entrei no museu do Louvre.

Eu não subi na torre Eiffel.

Não tirei as fotos clássicas, dos ângulos clássicos, dos monumentos clássicos.

Não fui em nenhum restaurante badalado do momento.

Eu não fiz o que todo mundo que visita Paris geralmente faz.

Quando voltei para o Brasil, uma colega de trabalho que sabia que eu tinha ido para lá começou com um bombardeio de perguntas.

E depois de falar “não” para praticamente todos os lugares que ela perguntou se eu tinha visitado, ela perguntou categórica:

– Então pra que você foi pra Paris?

Fui pra Paris pra conhecer a cidade. Cheguei sim a estar de frente pro museu do Louvre e da Torre Eiffel, mas a fila de espera para conseguir entrar eram de 4 horas (em cada uma).

Eu preferi sentar no gramado em frente à torre e fazer um piquenique improvisado, do que ter a obrigação de ficar 8 horas em uma fila só para dizer (para os outros) que fui.

Eu preferi caminhar pelas ruas e conhecer os bairros que não estavam lotados de turistas.

Eu não quis tomar café nas cafeterias famosas, eu quis tomar café naquelas escondidas em becos que só os moradores locais saberiam informar.

A indústria do turismo faz com que todos frequentem os mesmos pontos turísticos, os mesmos restaurantes, as mesmas lojas e querem que a gente faça turismo de 5 dias em 5 países (é só procurar na internet).

Já eu, prefiro conhecer bem uma cidade. Prefiro sentar nos bancos das praças, alugar uma bicicleta, conversar com os moradores, frequentar supermercados do bairro, andar sem rumo pela cidade.

Prefiro reservar casas inteiras, ao invés de quartos de hotéis.

Esse é o meu jeito de viajar de verdade.

~ Yuka ~

Anúncios

Vida corrida: desacelerando

desacelerar

Não é de se estranhar que a nossa vida esteja tão corrida.

E o motivo é simples.

Nós trocamos – pelo menos – 1/3 do nosso dia trabalhando para os outros em troca de dinheiro, julgo salário. Vendemos o nosso tempo por dinheiro para manter o nosso sustento, comprar comida, ter um teto para morar, pagar pelos estudos, ter conforto.

Ficamos 8 horas no trabalho + 1 hora de almoço no trabalho + 1 hora (pelo menos) no trânsito. “Só” isso já consome 10 horas do nosso dia.

Quando voltamos para casa, a maioria de nós precisamos ir ao supermercado, fazer o jantar, cuidar da nossa higiene, cuidar dos filhos, cuidar da casa.

Mesmo se não tivermos nenhuma atividade extra (como academia, curso), só com o emprego e tarefas domésticas, o dia praticamente já foi preenchido.

Quando tentamos fazer mais coisas do que o nosso tempo permite, geramos estresse e a sensação de que nos falta tempo domina a nossa rotina.

Muitos pais fazem hora extra para comprar o que há de melhor para o seu filho, mas na maioria das vezes o que o filho mais quer é ter os pais por perto.

Trocamos nosso tempo trabalhando mais para comprar coisas que nem precisamos.

Talvez compramos coisas que não precisamos por fazer uma comparação com um colega? Se um colega de trabalho compra um carro importado, uma casa grande decorada, coloca os filhos na escola bilíngue, a sensação de que está ficando para trás invade a sua mente?

A televisão dá uma bela incentivada nesse comportamento, mostrando em novelas e comerciais as mulheres surreais andando de salto alto dentro da casa, ou seja, mostram a mulher impecável que nos faz sentir um lixo. Ressaltam em comerciais a importância de trocar presentes em datas festivas (a maioria inventadas por donos de indústrias para girar o comércio) como Dia das Crianças, Dia dos Pais, Dia das Mães, Natal, Dia dos Namorados, Black Friday, etc.

Colocaram na nossa cabeça que trabalhar muito é bonito. Fazer hora extra é bonito. Não ter tempo para família é bonito. Ou seja, quanto menos tempo tivermos, mais importante iremos parecer.

Colocaram na nossa cabeça que quem tem tempo é preguiçoso. Que quem trabalha pouco é vagabundo. Quanto mais tempo tiver, mais preguiçoso vai parecer.

Quem colocou essas ideias na nossa cabeça?

Neste exato momento, eu não tenho a opção de largar meu emprego, mas sei que a empresa me paga pelas 8 horas diárias do meu serviço. Antes eu fazia hora extra. Hoje não. Antes eu vendia férias. Hoje não.

Para ter um casamento saudável, é necessário que a família passe mais tempo juntos. Para ter filhos com melhor autoestima é necessário que passem mais tempo com os pais.

Não deixe que – no pouco tempo que sobra do seu dia – a televisão, o celular, a internet afaste ainda mais sua família.

~ Yuka ~

Minha vida frugal, de volta ao passado…

vida frugal

Às vezes, tenho a sensação de que nasci na época errada. Às vezes, tenho a sensação de que estou voltando ao passado.

Enquanto muitas famílias pedem comida fast-food na sexta-feira à noite, aqui em casa geralmente rola uma comida caseira, como um hambúrguer caseiro com batatas fritas rústicas.

A minha casa tem sempre cheirinho de comida. Cheiro de pão caseiro saindo do forno, um bolo fofinho, uma assadeira cheia de suspiros…

O forno funciona praticamente todos os dias: são cookies, brownies, bolos, batatas recheadas, tomate confit, castanhas e amendoins torrados, sempre tem alguma coisa no forno, e na porta do forno, um pano de prato úmido para aproveitar o calor.

Faço o meu próprio iogurte grego, a granola, pão, molho de tomate, caldo de galinha, biscoito, bolo…

Faço sabão em barra, produtos de limpeza, costuro e sei fazer pequenos consertos.

Faço comida todos os dias e ainda levo marmita ao trabalho.

Estou tentando produzir meus próprios queijos.

Se tenho um tempo sobrando, faço massas de cookies para deixar congelado. Assim, quando recebo visitas, geralmente elas são mimadas com uma fornada de cookies quentinhos.

É como se eu voltasse a viver os tempos dos avós.

Para muitas pessoas, devo viver uma vida sem graça.

Para mim, vivo tentando desacelerar e descobrir as pequenas alegrias do dia a dia.

E querem saber? É uma delícia viver assim.

– Yuka –

Viver d.e.v.a.g.a.r

tomando-cha

Viver devagar… Parece fácil, mas não é. Parece descomplicado, mas não é. Só parece. Porque na atual conjuntura, viver devagar é para poucos.

Eu moro numa das capitais mais movimentadas do mundo. São Paulo é rodeada de pessoas dia e noite. Não há horário ou fim-de-semana em que a rua fique com poucos carros, as pessoas têm muita pressa, se esbarram umas nas outras a fim de chegar 1 minuto mais rápido para qualquer lugar, não importa onde.

Pego o metrô e a maioria está imersa no seu próprio mundo – o smartphone. Ninguém percebe que estou grávida, obviamente, ninguém cede o assento para mim. É assim todos os dias. Foi assim na outra gestação.

Olho pra todo mundo e agradeço por ter tido a possibilidade de acordar desse pesadelo que é seguir a manada. Para o meu alívio, sinto que não estou na mesma sintonia que todos.

Eu não preciso do que a maioria das pessoas precisam. Não tenho carro, me desfiz do apartamento, tenho poucas roupas, poucos sapatos, poucas maquiagens. Eu não preciso andar rápido só porque todo mundo anda. Eu não preciso provar nada a ninguém, principalmente de que sou capaz de viver e ser feliz com muito pouco.

A minha meta atual é viver com menos informação e menos pressa. Fazer um detox digital. Sinto às vezes que o excesso de informação tem prejudicado a minha concentração e paciência. Para quem trabalha com informação, ficar sem informação é terrível, mas para quem já conseguiu se libertar da televisão, quem sabe? Será necessário aprender a selecionar as informações mais relevantes.

Quero aprender a fazer meu chá e me concentrar somente no chá.

Quero conseguir esperar pelos meus amigos sem ter vontade de espiar meu celular.

Quero lavar a louça e pensar na vida, não assistir vídeos como faço hoje.

Há muitos anos, eu tinha o costume de fazer tudo ao mesmo tempo. Lembro de uma cena exagerada (mas real) e inacreditável: eu, andando em uma bicicleta ergométrica, assistindo novela, falando no celular com uma amiga (o celular encaixado no pescoço torto) e fazendo tricô. Sim. Tricô. Tudo bem que a linha enroscava com frequência no pedal. Eu fazia 4 coisas ao mesmo tempo e não me orgulho desse passado.

Acredito que o fundamental para desacelerar e viver devagar é aprender a fazer uma coisa de cada vez e apreciar cada atividade, seja ela qual for.

Não adianta fugir para as montanhas se a inquietação continuará conosco. Por isso acredito que é possível viver devagar mesmo morando em uma das capitais mais movimentadas do mundo.

~ Yuka  ~

Buscando a simplicidade

pena

Durante muito tempo acreditei que pessoas bem sucedidas eram aquelas que ganhavam muito dinheiro e possuíam inúmeros bens como carros, apartamentos enormes, empregos rentáveis, poder, status, reconhecimento…

Só que há alguns anos, cansei de mostrar o que não sou. Ser para os outros, o que eu não queria me tornar. E aos poucos fui simplificando minha vida: joguei fora objetos, joguei fora alguns sentimentos e joguei fora algumas pessoas. Ao mesmo tempo que eu ia me livrando daquele peso todo que eram os excessos da minha vida, fui percebendo que o nó da minha vida também se desatava.

A palavra ‘simplicidade’, de um modo geral, significa ausência de excessos e extravagâncias na ordem material, social ou psicológica.

Ao aprender a desapegar das coisas, fui descobrindo de que não preciso, nem devo me comparar com os outros. O que traz felicidade para um, não necessariamente traz felicidade para mim. O que traz felicidade para mim, pode ser uma bobagem para o outro.

E passei a admirar as pessoas que conseguem ir no sentido contrário que o mundo inteiro vai: de que consumir é bacana, de que ter muitos bens é sinal de sucesso. Admiro pessoas que ao invés de ter coisas, preferem ter momentos. Ao invés de ostentar as coisas que tem, compartilham experiências. Ao invés de excessos, preferem a simplicidade.

Hoje, esforço para me tornar a pessoa que eu quero me tornar, e não o que as pessoas querem que eu me torne.

E posso dizer que cada passo que tenho percorrido por esse caminho, tem valido muito a pena.

~ Yuka ~

Desacelerando com a comida

Andei colhendo algumas hortaliças da minha horta e fiz um almoço.

Não foi nada demais, foi um almoço simples. Mas o fato de saber que eu tinha plantado e colhido da minha horta orgânica, fez uma imensa diferença. O almoço parecia ter um outro sabor, um sabor de vitória (já que foi o meu primeiro pé de alface que eu colhi) rsrs.

Colhi um pé de alface romana e um de alface roxa.
Colhi um pé de alface romana e um de alface roxa.
E fiz uma salada colorida. Os morangos eu colhi da minha hortinha também.
E fiz uma salada colorida. Os morangos eu colhi da minha hortinha também.
Cebolinha picadinha com muito amor. Eu usei a cebolinha na bisteca de porco com maçã e sálvia que eu faço.
Só tinha 3 morangos… Cebolinha picadinha com muito amor. Eu usei a cebolinha na bisteca de porco com maçã e sálvia que eu faço.
A bisteca...
A bisteca…
Colhi capim santo...
Colhi capim santo…
... pra fazer um suco de limão com capim santo. Uma delícia.
… pra fazer um suco de limão com capim santo. Uma delícia.
Olha como o suco fica com corte forte.
Olha como o suco fica com cor forte.

Quando comi a alface, achei que estava um pouco dura… acho que deixei passar do ponto, já que estava um pouco fibrosa. Da próxima vez, colho mais cedo. Dá tanto trabalho cuidar de uma horta, que eu tive dó de comer.

~ Yuka ~

Viver uma vida simples

lotus

Quando você decide que quer ter uma vida mais simples, isso não significa que deve renunciar e desapegar das coisas que tem.

Viver uma vida simples significa fazer escolhas que importam para você e somente para você, passar a dar valor e a ouvir o que o seu coração precisa. Se você gosta de música clássica, dane-se as pessoas que te olham de forma torta. Se você optou por não ter um carro, está tudo bem andar de ônibus mesmo você sendo chefe ou diretor de uma empresa.

Há tempos a mídia bombardeia tantas informações, confundindo nossos valores. Passamos a dar mais importância em ter um carro estiloso do que no caráter da pessoa. Mais importância em usar a roupa da moda do que valorizar a generosidade… Passamos a dar mais importância no TER do que no SER.

Eu não tenho Facebook por uma decisão tomada há alguns anos. Decidi não ter Facebook, para ter mais tempo para os meus amigos de verdade. Se for para curtir uma foto, prefiro visitar e ver as fotos junto com a pessoa. Sei todos os aniversários dos meus amigos e da minha família de cor. Claro que eu fico fora de muitas notícias interessantes, mas é o preço que eu decidi pagar por não ter Facebook.

Via tantas pessoas postando no Facebook informações que são mais para se mostrar do que para compartilhar: “olha eu em Paris”, “tirei uma foto com um jogador de futebol famoso”, “me hospedei num hotel 5 estrelas”… mas sinceramente, pra mim, os valores são outros. Valorizo muito mais tomar um café com meu melhor amigo, fazer um almoço caprichado para a minha família, fazer um piquenique num parque, um cafuné no meu marido… isso sim, pra mim é ter uma vida simples.

Não dá para ter tudo ao mesmo tempo. É necessário fazer algumas escolhas para ter uma vida simples. É necessário tomar uma decisão para escolher o que é mais importante para você, e o que trás a verdadeira felicidade.

Pra mim, ser simples é:

– saber dizer não

– saber as prioridades

– não sofrer lavagem cerebral pela mídia

– valorizar os momentos com a família e amigos

– conhecer seus limites

– valorizar o silêncio

– ter paciência

~ Yuka ~