A arte de viver o sonho dos outros

Captura de Tela 2018-07-04 às 17.39.11

Desde que nascemos, somos orientados a copiar os outros. Na forma de falar, na forma de expressar, na forma de vestir, na forma de comportar. Até aí, tudo bem, nada anormal, vivemos em comunidade.

Agora que eu tenho 2 crianças em casa, e tenho contato com outras crianças, consigo perceber como elas são corajosas, destemidas, desafiadoras. A partir de quando elas começam a abaixar a cabeça? Talvez em casa? Talvez na escola?

Somos programados a nos comportar de maneiras parecidas. Na escola, por exemplo, precisamos ficar quietos, sentados. Precisamos obedecer os professores, aprendemos a não questionar, a não fazer perguntas difíceis.

Aprendemos a silenciar a mente.

Passamos a acreditar que para ter um futuro melhor, precisamos estudar bastante, trabalhar em uma empresa de grande porte, ganhar bastante dinheiro e constituir uma família. Fim.

Mas e quando a gente percebe que a vida não se resume a isso? Que viver é muito mais?

Aliás, deixe-me saber: qual é o seu sonho? Já reparou que todo mundo tem o mesmo sonho? Ter uma casa própria, uma casa na praia, constituir uma família, viajar pelo mundo e ser feliz?

Será que esses sonhos idênticos, são realmente seus? Ou são sonhos plantados desde que nascemos? Será que sem perceber, estamos vivendo o sonho dos outros?

Há mais de 10 anos, tenho me questionado quem sou eu. Não a pessoa que querem que eu seja, mas quem sou eu de fato.

Essa pessoa que eu estou descobrindo, é completamente diferente da pessoa que eu achava que era. Olho para alguns anos atrás e chega a ser difícil acreditar que somos a mesma pessoa.

A aceitação acontece devagar, de forma natural. Conforme a gente vai se conhecendo melhor, o amadurecimento e o amor-próprio também começa a ter o seu papel.

A descoberta é surpreendente, impressionante, e em algumas vezes, mágica.

Quando aprendemos a nos amar, passamos a não ter tempo para as coisas pequenas. Passamos a nos preocupar com as coisas que realmente são importantes para nós.

Descubra quais são os seus sonhos você também.

~ Yuka ~

Anúncios

9 livros que mudaram a minha forma de pensar

Preciso ser sincera… não foram esses livros que mudaram a minha forma de pensar. Foram um “multi-combo de várias coisas”… os livros de auto-ajuda que sempre li (e que as pessoas torcem o nariz rs), os vídeos sobre motivação, o fato de eu sempre ter sido uma pessoa otimista, o meu marido que sempre acreditou no meu potencial, e nas centenas de livros sobre diversos assuntos que li.

Sim, eu sou dessas que lê livros no metrô, no ponto de ônibus, dentro do elevador, na fila do supermercado, no consultório médico, antes de dormir. E entre tantas linhas lidas, acabei absorvendo muita coisa boa, mesmo quando o livro não era tão bom.

Então essa lista de livros, não é uma lista estática, podem ter muitos outros livros e até mesmo textos de blogs que me transformaram, mas é uma tentativa de mostrar o que eu ando lendo:

1.) Essencialismo: a disciplinada busca por menos

2.) O poder do hábito

https://images.livrariasaraiva.com.br/imagemnet/imagem.aspx/?pro_id=4238667&qld=90&l=430&a=-1

3.) Quanto menos, melhor

4.) A história das coisas

5.) As cinco linguagens do amor

6.) Dinheiro e Vida

7.) Trabalhe 4 horas por semana

8.) Pai rico, pai pobre

9.) O milionário mora ao lado

~ Yuka ~

Como você avalia a riqueza pessoal?

Captura de Tela 2018-06-11 às 10.22.11

Outro dia recebi um comentário muito pertinente de uma leitora que estava preocupada por achar que eu não vivia uma vida confortável, vivendo sempre no limite.

Isso me chamou atenção, porque por mais que eu já tenha escrito em vários posts que eu não tenho as coisas porque não preciso, talvez isso ainda não esteja claro o suficiente.

A maioria das pessoas que eu conheço, não possuem um propósito de vida, ou não sabem o que querem da vida. Eu mesma ainda estou em busca do meu propósito de vida, mas sei o que quero. Quando se vive por viver, não avaliamos como gastamos nosso tempo e como utilizamos a nossa energia vital. Talvez por isso passamos tanto tempo de nossas vidas vagando em lojas, shoppings, usando nosso precioso tempo consumindo, comprando coisas sem precisar, sem questionar, somente porque todos estão fazendo o mesmo, ou porque não tem outra coisa mais interessante para fazer.

Vejamos o meu caso. Eu moro a 1 quadra do metrô e trabalho a uma distância de 5 estações do metrô. Demoro 20 minutos da porta de casa até a porta do meu trabalho. Perto de casa (e quando falo perto, é perto mesmo, tipo 1 quadra ou no máximo 2 quadras) tem 3 supermercados, 2 padarias, 2 farmácias, 2 hospitais, açougue, floricultura, doceria, restaurantes, cafeterias, lotéricas, agências bancárias… Nos fins de semana, por morar perto de metrô, tenho mobilidade para sair para os principais pontos turísticos de São Paulo. Praticamente todos os lugares que gosto de frequentar está a 10 minutos de metrô ou a 10 reais de Uber.

Dada a explicação, vamos analisar o meu caso com muita sinceridade. Vocês acham que eu preciso de um carro? Pra que eu teria um carro? Pra deixar parado na garagem? Pra sofrer depreciação, para preocupar em ligar o motor para não arriar a bateria? Para lavar o carro, não esquecer de pagar os boletos do IPVA, do seguro obrigatório, etc?

Esse exemplo do carro, é apenas para ilustrar 1 exemplo do que acontece na minha vida. A mesma coisa acontece com o apartamento em que vivo, com as roupas que eu tenho, com eletrodomésticos que comprei, e com todo o meu estilo de vida. Eu realmente avalio se aquilo é necessário.

Quando algumas pessoas dizem que pareço que eu vivo no limite é porque não me conhecem de verdade. Quantas pessoas vocês conhecem que já viajou por praticamente todos os Estados do Brasil? Eu e meu marido, juntos, conhecemos os EUA, França, Holanda, Grécia, Japão, Canadá, Itália, Argentina, Alemanha, Chile, Bolívia, Espanha.

A diferença entre as pessoas que “parecem viver melhor” e eu, é que eu não gasto em coisas que não acho necessário (e também não mostro e não falo para os outros).

É diferente de não gastar. Eu gasto sim, só que gasto bem. Gasto em coisas que eu acho importante. E isso acaba gerando muitos julgamentos:

  • Como assim ela consegue viajar todo ano para o exterior e eu não, se recebemos o mesmo salário e ela ainda tem 2 filhas?
  • Como ela consegue viver sem ter um carro, já que é uma necessidade de “todos”?
  • Como assim ela usa transporte público se ela tem um cargo de diretora?
  • Como assim, ela leva marmita para o trabalho?
  • Como assim, ela pinta a própria casa, usa furadeira e monta os próprios móveis?

Tudo isso são julgamentos infundados. São diversos os conceitos errados que ouvimos por aí: de que quem poupa posterga a vida. De que mulher não sabe consertar elétrica e hidráulica. De que diretor tem que vir trabalhar de carrão e almoçar em lugares caros.

Já contei essa história aqui, mas uma colega que não me via há muitos anos perguntou se eu tinha carro, e quando eu respondi que não, ela falou “ai credo, como você é pobre”. E eu só ri, e nem quis explicar nada. Para essas pessoas, eu não perco tempo explicando.

Apesar de eu ter certeza que eu tinha a conta bancária infinitamente mais gorda que a dela, tive a confirmação de que ela media a riqueza de forma diferente da minha: ela faz a avaliação da riqueza pelas coisas externas, enquanto eu faço avaliação da riqueza pelas coisas internas.

Para muitas pessoas, é “coisa de pobre” não ter experiências caras, não frequentar restaurantes estrelados do Guia Michelin, não fazer viagens internacionais e conhecer os principais pontos turísticos (como assim foi para Paris e não subiu na Torre Eiffel?), não ter um carro, um imóvel próprio…

Para mim, ser rica é ter mobilidade em uma cidade caótica como São Paulo. É poder morar em um bairro seguro que me permite fazer tudo a pé. Ser rica é poder chegar em casa mais cedo (por não ficar presa no trânsito), preparar um jantar para a família e ainda sobrar tempo para dar banho nas minhas filhas e ler um livro antes de dormir.

Ser rica é ter um marido que se sente satisfeito com a vida que tem e ainda agradece por eu ter aberto os olhos dele dessa vida vazia de consumismo. É ter tempo para costurar uma casa de tecido para as minhas filhas em um fim de semana qualquer, só para ter o prazer de vê-las brincando.

É uma pena que a maioria das pessoas enxergam apenas a riqueza externa e são felizes apenas quando tem experiências caras. Para essas pessoas, o sucesso é vinculado com bens materiais.

A riqueza interna não traz status, nem olhar de inveja dos outros, nem admiração. É uma vida simples, sem fogos de artifícios.

Essa vida, infelizmente, não serve para a maioria, pois não tem brilho e é “insistentemente sem graça”.

Algumas pessoas, no meio do caminho, entendem que a maior riqueza da vida são coisas que não envolvem dinheiro.

São de graça.

Para estas pessoas, bem-vindas ao meu mundo.

~ Yuka ~

Maquiagem minimalista

Uma leitora pediu para eu mostrar a atualização das minhas maquiagens, só que desta vez com os pincéis que uso.

Como já faz 1 ano que eu publiquei o último post sobre o assunto, aqui vai uma foto das minhas maquiagens atuais:

maquiagem minimalista 1

  • 1 lápis preto para olhos (Urban Decay)
  • 1 delineador preto para olhos (Urban Decay)
  • paleta de sombras (Urban Decay)
  • 1 base para o rosto (Missha)
  • 3 batons (MAC)
  • 2 blushes (MAC)

maquiagem minimalista

E meus pincéis:

  • 1 para blush
  • 1 para base líquida
  • 4 para olhos (estou pensando em reduzir os pincéis…)

~ Yuka ~

Turismo e o seu incrível efeito manada

Paris
Fonte

Quando fui para Paris, eu não visitei os principais pontos turísticos, como mandam os sites de guias de turismo.

Eu não entrei no museu do Louvre.

Eu não subi na torre Eiffel.

Não tirei as fotos clássicas, dos ângulos clássicos, dos monumentos clássicos.

Não fui em nenhum restaurante badalado do momento.

Eu não fiz o que todo mundo que visita Paris geralmente faz.

Quando voltei para o Brasil, uma colega de trabalho que sabia que eu tinha ido para lá começou com um bombardeio de perguntas.

E depois de falar “não” para praticamente todos os lugares que ela perguntou se eu tinha visitado, ela perguntou categórica:

– Então pra que você foi pra Paris?

Fui pra Paris pra conhecer a cidade. Cheguei sim a estar de frente pro museu do Louvre e da Torre Eiffel, mas a fila de espera para conseguir entrar eram de 4 horas (em cada uma).

Eu preferi sentar no gramado em frente à torre e fazer um piquenique improvisado, do que ter a obrigação de ficar 8 horas em uma fila só para dizer (para os outros) que fui.

Eu preferi caminhar pelas ruas e conhecer os bairros que não estavam lotados de turistas.

Eu não quis tomar café nas cafeterias famosas, eu quis tomar café naquelas escondidas em becos que só os moradores locais saberiam informar.

A indústria do turismo faz com que todos frequentem os mesmos pontos turísticos, os mesmos restaurantes, as mesmas lojas e querem que a gente faça turismo de 5 dias em 5 países (é só procurar na internet).

Já eu, prefiro conhecer bem uma cidade. Prefiro sentar nos bancos das praças, alugar uma bicicleta, conversar com os moradores, frequentar supermercados do bairro, andar sem rumo pela cidade.

Prefiro reservar casas inteiras, ao invés de quartos de hotéis.

Esse é o meu jeito de viajar de verdade.

~ Yuka ~

A decisão de não ser mãe: preconceito e pressão social

não ser mãe

O post de hoje vai falar especificamente de mulheres, porque são as que mais sofrem pressão social para terem filhos.

Eu tenho 36 anos, e a maioria dos que estão a minha volta também têm essa idade, entre 30 a 40 anos. Para muitas mulheres, é um período crucial por causa do relógio biológico, mas para algumas, esse período não possui relação nenhuma com a vontade de ser mãe.

Eu tenho amigas que são mães, porque sempre quiseram ter filhos.

Também tenho amigas que estão ansiosas para serem mães.

Tenho amigas que tentaram engravidar, mas por diversos motivos não conseguiram.

Tem as que tiveram filhos por um descuido.

Há aquelas que geraram de forma independente.

Também há as que fizeram a adoção. Abriram o coração primeiro e tiveram os filhos do coração.

Há aquelas que mesmo sem vontade, têm filhos, só para não serem julgadas.

E finalmente, as que optaram em não terem filhos.

Acredito eu, que as que optaram em não terem filhos e as que não conseguiram engravidar, são as mais julgadas pela sociedade.

Dentre todas as opções, a mais triste, são aquelas pessoas que não tem vontade em serem mães, no fundo sabem que não querem um filho, mas terão, apenas por obrigação social. São aquelas pessoas que irão gerar filhos só para serem aceitas pelas sociedade.

Quando uma mulher decide que não quer ter um filho, é uma decisão que deve ser respeitada. É o direito de cada pessoa decidir o que é melhor para a vida dela.

Essa é uma decisão muito importante e delicada a ser tomada. Nem toda mulher nasce para ser mãe. Nem toda mulher quer ser mãe. E isso definitivamente não significa ser egoísta, ou fria, ou narcisista, ou individualista, ou precipitada. É uma decisão única, e com um profundo respeito à vida.

Digo respeito à vida, porque há pessoas que tem filhos e em nenhum momento pensaram na responsabilidade que isso traz. São filhos que possuem os cuidados terceirizados, o amor terceirizado.

Eu mesma, não tinha vontade de ser mãe antes de conhecer o meu marido. A vontade de ser mãe veio com o amor que sinto por ele. Houve um momento da nossa vida que estávamos muito felizes, mas sentíamos que faltava algo. Demorou para reconhecermos que esse algo, era um filho. Meu marido também nunca teve vontade de ser pai. Então quando decidimos que queríamos gerar um filho, foi uma decisão muito consciente e bonita.

Quando eu namorava meu marido, sempre perguntavam: “você vai casar quando?”. Depois a pergunta se transformou em: “quando vão ter filhos?”. Depois que tive a minha primeira filha, a pergunta virou: “e o segundo filho, quando vem?”. Atualmente as pessoas perguntam se vamos tentar ter um menino, já que tivemos duas meninas. E eu tenho certeza que se eu engravidasse pela terceira vez, as mesmas pessoas que estão me encorajando atualmente para ter um terceiro filho, me olhariam torto dizendo que é um exagero ter três filhos.

Por aí dá para perceber que as pessoas SEMPRE irão nos cobrar por algo. Então, já que vão cobrar de qualquer jeito, a melhor maneira é seguir o nosso coração, fazer o que o nosso coração manda. Quer ter filhos? Ótimo! Não quer ter filhos? Ótimo também!

A liberdade de escolha de ser mãe é uma conquista.

A liberdade de escolha de não ser mãe, também.

~ Yuka ~

A linha tênue entre ostentação e satisfação

Ostentação e satisfaçãoExiste uma linha muito, muito tênue onde caminhamos diariamente.

Essa linha é como se fosse um divisor entre a ostentação satisfação.

De um lado da linha, a ostentação.

Do outro lado, a necessidade atendida.

É muito fácil identificar se estamos caminhando no lado da ostentação.

Basicamente, são 2 perguntas cruciais:

  • Estou comprando para a minha satisfação ou para os outros?
  • Vou ter 100% de aproveitamento do produto/serviço?

A primeira pergunta é importante para avaliar se algo está sendo feito para mostrar para os outros. Aquele carro que você quer é para tentar provar para os outros que você é uma pessoa bem-sucedida? Aquela foto que você está tirando é para você guardar na sua memória ou para mostrar aos outros o quanto você parece ser feliz nas redes sociais? Aquela viagem nacional ou internacional que você pretende fazer, você permaneceria com os planos se não pudesse contar para ninguém?

A segunda pergunta mostra se estamos comprando produtos ou contratando serviços além do necessário. Aquele fogão de 6 bocas que você tem, você realmente usa 6 panelas simultaneamente na hora de cozinhar, ou serve apenas para deixar algumas panelas encostadas? Aqueles sapatos abarrotados na sapateira são usados com frequência, ou você usa sempre os mesmos sapatos? Aquele plano anual de academia que você pagou está valendo a pena, ou você vai só algumas vezes e já está quase desistindo?

Esses dias, em uma roda de conversa, surgiu o assunto de que eu moro em um bairro bom, então supostamente, sou ‘rica’. Ao mesmo tempo, sou ‘pobre’ por não ter um carro e usar transporte público.

Eu só fiz a seguinte pergunta para eles:

– Supondo que as duas opções dessem o mesmo gasto, qual você preferiria: a.) morar perto do trabalho e não ter carro; b.) morar longe do trabalho e ter carro.

Eu escolhi morar perto do trabalho. Essa opção não traz status, mas traz qualidade de vida.

Toda vez que eu e meu marido compramos algo, sempre fazemos essa pergunta. É necessidade ou ostentação? Eu não decidi viver com menos. Eu decidi viver com o suficiente.

Quando se aprende a avaliar, aprende-se a consumir de forma adequada.

É quando sentimos aquela sensação da suficiência, de estarmos satisfeitos com o que já possuímos.

As pessoas que não sabem ainda reconhecer esse sentimento de suficiência, possuem dificuldades para entender quando digo ‘não’ para brindes, quando digo que não estou precisando de nada no momento, quando digo que minhas filhas já possuem roupas ou brinquedos suficientes.

Não gasto (à toa) por ter a consciência de que aquilo não é necessário.

É estar satisfeita de que o que as pessoas julgam como pouco, é o suficiente para mim.

~ Yuka ~