Matrix e a sociedade do consumo

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Você já assistiu o filme Matrix?

Num dos trechos mais importantes do filme, há uma cena em que Morpheus encontra-se com Neo para explicar que esse mundo em que vivemos, não é um mundo real. É um mundo criado pelo Sistema que controla a mente humana. Somos na verdade escravos desse Sistema. E Morpheus dá a oportunidade para Neo escolher tomar a pílula azul, que fará com que ele continue vivendo a vida de antes, superficial e de ilusão; ou escolher tomar a pílula vermelha, que dará a oportunidade de conhecer o mundo real.

Fico olhando a minha volta toda essa ostentação, carro importado, roupas de grife… Para quê? Para quem? Será que precisamos de tudo isso mesmo? Precisamos gastar nosso salário suado comprando um sapato de R$400,00? Será que andar em um carro popular torna uma pessoa menos importante do que aquele que anda de carro importado? Precisamos trabalhar tantas horas por dia? Voltar para casa enfrentando o trânsito, pedir uma pizza porque está tão exausta para cozinhar. E no dia seguinte, começar tudo de novo…

No blog Obvius, há um post que explica isso muito bem, como vê nos trechos a seguir:

“Como prisão tradicional, haveria repulsa e todos combateriam tal prisão. No entanto, quando se criam gaiolas enfeitadas e cheias de distrações, passamos a não perceber (ou não querer perceber) que, embora existam atrativos, ainda estamos em uma prisão. E como toda prisão, há controle, coerção e cerceamento de liberdade (…). Alguns indivíduos estão tão habituados àquela realidade que defenderão o sistema (…). Esse fato demonstra que a força do dominante consiste no nosso consentimento, uma vez que aceitamos uma realidade que nos é passada sem o menor poder de questionamento. Pelo contrário, procuramos aumentar a nossa dependência e alienação ao sistema, o que em uma sociedade de consumo obviamente demonstra-se pelo consumismo (…). Há de se considerar que o problema não é o consumo, mas sim, o valor simbólico que é dado às mercadorias (…), isto é, pela capacidade que certas mercadorias têm de elevar o indivíduo perante os outros (…). O que não percebemos (…) é que a nossa sociedade consumista, cria um exército de servos voluntários, que aceita os grilhões impostos pelos dominantes através da publicidade, como se fossem soluções mágicas de felicidade. Tomando suas pílulas azuis todos os dias, distanciam-se de si mesmos, e portanto, do autoconhecimento, tão necessário à libertação, já que, como dito, a libertação é individual e se o indivíduo não busca autoconhecer-se a fim de pensar de forma crítica o mundo que o circunda, torna-se impossível enxergar a Matrix (…). A coragem é o que permite que alguns homens lutem pela liberdade daqueles que se acham livres por poderem escolher entre o Bob’s e o McDonald’s (…). Pois como disse Goethe: não existe pior escravo do que aquele que falsamente acredita estar livre.”

Toda essa explicação anterior para dizer que eu tomei a pílula vermelha na minha licença maternidade. Foi quando a ficha caiu e descobri que há algo de errado com o mundo.

Quando tento conversar esses assuntos com algumas pessoas, muitas me acham doidinha, outras ficam indignadas dizendo que tudo isso é necessário para que não fiquemos no ócio, que precisamos gerar emprego, movimentar a economia do país, etc. Como se movimenta a economia quando 1% da população global detém mesma riqueza dos 99% restantes?

Será que estou errada quando critico esse Sistema que nós mesmos criamos e ajudamos a manter? Em achar errado uma sociedade que mais valoriza um jogador de futebol, uma socialite, um ex-BBB do que um pesquisador, um bombeiro ou uma vó que cuida do neto? Em achar errado ter que trabalhar 10 horas por dia quando o que mais queria era ficar com a minha filha que está doente? Ter que trabalhar por 10 horas seguidas quando se tem um ente querido internado com uma doença grave no hospital? Você acha isso normal? Eu acho isso muito errado. Muitas pessoas iriam dizer que “é só largar o emprego”. Só que estou presa nesse Sistema. Sou uma escrava desse Sistema. E não posso largar o emprego porque tudo nessa vida envolve dinheiro, inclusive remédio, internação e alimentação, já que basicamente meu dinheiro vai para 3 lugares: bancos, governo e empresas.

E você? Se tivesse opção para escolher, qual pílula escolheria? A vermelha ou a azul?

~ Yuka ~

Por uma vida menos gourmet

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O conceito food truck, que era para oferecer comida boa a um preço camarada, virou gourmet. Duas pessoas gastam em torno de R$80,00 (lanche e refrigerante) nos food trucks espalhados pela cidade de São Paulo. E detalhe, come-se em pé.

Os apartamentos também viraram gourmet, com cozinha gourmet, varanda gourmet e espaço gourmet.

As pipocas caramelizadas e o brigadeiro gourmet com chocolate belga.

A gourmetização também chegou no café. Fico impressionada com a criatividade de adjetivos utilizados para descrever as cápsulas de café para enobrecer (e muitas vezes encarecer) o nosso café “blend de Arábicas da Colômbia finos e individualmente torrados, desenvolve uma acidez suave, com notas típicas de frutas vermelhas e vinho”…

As papinhas para bebê também viraram gourmet. Agora tem versão orgânica, light…

Apesar dos excessos de gourmetização, tento seguir o caminho contrário, valorizando a simplicidade.

Tenho um cargo de diretoria onde trabalho, mas vou ao trabalho de transporte público. Também não uso carro oficial da instituição (apesar de estar disponível) quando vou a outra filial, vou de ônibus.

Levo minha marmita todos os dias para almoçar.

Na minha sala, gosto de ficar descalça durante o expediente de trabalho.

Enquanto meus colegas usam Pandora e Vivara, me auto-denomino a “rainha da 25 de março”.

Não vejo necessidade de igualar um padrão de vida só para me encaixar no grupo ou de gourmetizar a vida só para tentar mostrar aos outros que a vida pode ser melhor que a do colega.

Vivemos um período em que muito se valoriza a gourmetização da vida cotidiana e excesso de exibicionismo ao invés da simplicidade da vida.

Se não tivéssemos a quem mostrar ou contar, será que continuaríamos comprando uma roupa cara e confortável ou pagaríamos uma roupa pela metade do preço, igualmente confortável?

Será que teríamos aquele carrão que apertou o orçamento familiar ou compraríamos um carro popular que atende a necessidade de ir e vir?

Será que continuaríamos comprando jóias se não pudéssemos mostrar para ninguém?

São perguntas que devemos fazer a nós mesmos. E podemos nos surpreender com as respostas, ao perceber que muito do que fazemos é para tentar impressionar os outros.

~ Yuka ~

Gastos dos 7 meses aos 12 meses

Dando continuidade ao post “O que custa mais caro: ter um filho ou a vaidade dos pais?”, quero compartilhar com vocês como foram os gastos da minha filha, dos 7 meses ao 12 meses.

  • FRALDAS: Continuei usando as fraldas que ganhei no chá-de-bebê, por isso não tive gastos com fraldas por enquanto.
  • CADEIRINHA PORTÁTIL PARA ALIMENTAÇÃO: comprei o modelo portátil da Fisher-Price, pois minha casa é pequena. Muito bom, compacta, dá para instalar em vários tipos de cadeira. Possibilita tirar a bandeja, regular a inclinação e altura. Outro dia recebi a visita de uma criança de 3 anos que usou o cadeirão tranquilamente para almoçarmos todos juntos na mesa. Uma nova custa R$600,00. Eu comprei uma usada em ótimo estado por R$130,00.

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  • ITENS DE SEGURANÇA PARA CASA: protetor de tomada, protetor de quina para os móveis e trava para gavetas e vaso sanitário. A minha filha é muito curiosa, e sem esses itens, achei que seria arriscado.
  • REMÉDIOS: como todo bebê que começa a frequentar a creche, ela já teve gripe, virose, diarréia, conjuntivite. Então comprei remédios para ela.
  • ROUPAS: ainda estou usando as roupas que ela ganhou.
  • BRINQUEDOS: outro item que ainda não estou tendo gastos. Ela brinca com uma colher, panela, potes, escova de dente, lata de leite vazia, caixa de papelão, tudo vira brinquedo para ela. O que andei comprando foram livros infantis, pois vejo que ela adora livros.
  • ARTIGOS DE HIGIENE: como limpo o bumbum dela com algodão molhado, compro rolos de algodão para depois cortar, sabonete e xampu, dedeira para limpar os dentinhos.
  • MAMADEIRA, COPO DE TREINAMENTO E POTE TÉRMICO:
  • SAPATO
  • CADEIRA PARA CARRO: a partir de 12 meses, parece que aposentamos o bebê conforto para usar outro modelo de cadeira. Eu ganhei um usado da minha prima, para instalar no carro da minha mãe.

Como vê, ainda não tive tantos gastos com a minha filha.

~ Yuka ~

Ter imaginação é um exercício para o cérebro

Fonte: pinterest

Fonte: pinterest

A minha filha ainda é pequena demais para entender o que é o consumismo, mas gosto de mostrar para ela as minhas “invenções”. Uma garrafinha vazia com várias pedras de bijuteria dá um efeito lindo e vira um chocalho. Alterno o tamanho das garrafas e o conteúdo para ter barulhos diferentes, com arroz, milho, feijão…

Gosto de imaginar que ao me ver criando coisas a partir do nada, ela também irá aprender a se divertir usando a imaginação.

As crianças de hoje estão muito acomodadas em serem servidas. Os adultos precisam entretê-las o tempo todo. Um videogame, assistir televisão, mexer no celular, ter palhaços em festa…

Claro que não dá pra isolar os nossos filhos da realidade tecnológica existente hoje, mas se eu puder prolongar a infância, já vou ficar feliz.

Reclamamos de que as crianças de hoje não sabem brincar sozinhas, que estão viciadas em televisão, vídeo game e celular. Será que são as crianças ou somos nós que incentivamos? Outro dia o filho da minha prima que tem 6 anos veio fazer uma visita em casa. Quando chegou a hora de ir embora, ele disse que tinha gostado de um brinquedo da minha filha e veio me pedir todo envergonhado. Sabe o que ele queria? Uma garrafa vazia com um pouco de milho cru. Era esse o brinquedo que ele tinha gostado tanto e veio me pedir. As crianças de hoje continuam sendo crianças.

Brincar de bolinha de sabão, de seguir as formigas, pegar um cabo de vassoura e lençol e transformar em uma cabana, jogar bola, brincar de esconde-esconde, um graveto que vira varinha de condão, uma caixa vazia vira um carrinho, criar castelos de areia, brincar de adivinhar o formato das nuvens…

Perceberam que tudo o que falei não envolve dinheiro? Não gastar dinheiro se torna consequência das coisas que acredito.

E também porque meu lema é “comprar é mais fácil, criar é muito mais difícil”.

~ Yuka ~

20 coisas onde parei de gastar dinheiro

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Outro dia estava pensando em quantas coisas deixei de comprar porque não vejo mais necessidade… E essa lista têm aumentado com o tempo. Vejam só:

1.) TV a cabo:

Gastava um bom dinheiro mensalmente na TV a cabo até que um dia caiu a ficha de que eu não assistia muita televisão. Sentava no sofá e nunca conseguia assistir nenhum programa ou filme do começo, e ficava trocando de canal em canal para tentar assistir alguma coisa do início.

2.) Assinatura de revistas:

Desde 2004, não assino mais nenhuma revista. Acesso jornais e revistas pela internet.

3.) Taxa de administração de banco:

Eles não cobram muito, é verdade. Mas se somar a taxa de administração de todos os meses do ano, mais a anuidade do cartão de crédito, dá uma soma considerável por ano. Conversei com o gerente e hoje estou isenta destas taxas.

4.) Anuidade do cartão de crédito:

Converse com o seu gerente. Também estou isenta desta anuidade.

5.) Garantia estendida:

Sempre achei que se é para um produto quebrar, ele vai quebrar antes do primeiro ano. Nunca paguei garantia estendida, pois pra mim é gastar dinheiro desnecessariamente.

6.) Garrafa de água:

Todo lugar que eu vou, levo sempre a minha garrafa de água.

7.) Jóias:

Nem sei se pode ser considerado como jóia, mas a única jóia que tenho é a aliança que meu marido me deu de casamento e um anel que minha mãe me deu de presente. Não compro jóias, é um simbolismo que não ligo.

8.) Roupa da moda:

Não acompanho a moda, tento sempre comprar roupas que tenham bom caimento para o meu corpo, independentemente da moda, como uma calça alfaiataria, uma blusa com corte sequinho, etc.

9.) Manicure:

Fui na manicure 1 vez e achei que eu faço melhor que as moças (olha a humildade da pessoa rsrs). Depois disso, eu mesma passei a fazer as unhas.

10.) Pequenos ajustes em roupas:

Vocês já estão carecas de saber que eu tenho uma máquina de costura. Não sei costurar roupas (ainda), mas pequenos ajustes eu aprendi a fazer assistindo o YouTube.

11.) Bilhete de loteria:

Eu compro os bilhetes de loteria quando estes estão muito acumulados, isso dá umas 3 vezes por ano. Não compro semanalmente, prefiro guardar o meu dinheiro.

12.) Locadora de filmes:

Como eu assino a Netflix, não alugo filmes em locadoras.

13.) Black Fraude:

Olha, até tentei acompanhar o preço de um novo notebook, pois o que eu tenho está bem velhinho, mas tenho que concordar, é uma fraude mesmo. Os preços não tiveram desconto significativo.

14.) Presentes desnecessários:

Antes eu comprava presente de aniversário para as pessoas mais próximas, mas com o tempo fui percebendo que eu dava os presentes, mas nunca ganhava presentes. Hoje, só dou presentes para a minha mãe e para a minha sogra.

15.) Lembrança de viagens:

Outra coisa que parei de comprar com o tempo. Eu tenho o costume de viajar todo ano, e no início, comprava lembrancinha para todo mundo. E essas lembrancinhas davam uma soma considerável na viagem. Parei, né?

16.) Absorvente íntimo:

Já contei aqui que eu morro de amores pelo meu coletor menstrual.

17.) Sabão em pedra e detergente:

Eu aprendi a reciclar o óleo usado para produzir sabão em pedra. Antes tinha bastante desconfiança em relação a sabão caseiro, mas depois do “teste de qualidade” do meu marido, passamos a usar sabão em pedra feito em casa. Utilizo esse mesmo sabão para lavar as louças. Faz bastante espuma e os copos e talheres ficam brilhando.

18.) Combo de produtos:

• Internet + TV a cabo + telefone = $$$$$

• Plano de celular + WhatsApp + mensagem ilimitada + bônus de R$10,00 para falar com qualquer operadora = $$$$$

Será que precisa de tudo isso mesmo? Há 2 anos, quase fiquei maluca falando no telefone para a atendente da NET porque eu queria cancelar a TV a cabo, mesmo ela explicando que valia a pena o combo, que ficaria “apenas” R$30,00 a mais. Ué, não preciso e ponto final.

19.) Alguns temperos como salsinha, cebolinha, alecrim, tomilho etc:

Como tenho a minha hortinha, quase não compro mais temperos.

20.) Canetas, lápis e caderno de anotações:

Parece mentira, mas não lembro a última vez que comprei canetas, lápis e caderno de anotações para mim. Sempre ganho em reuniões, eventos e congressos que participo.

~ Yuka ~

 

O quanto somos influenciados?

Hoje o post é uma reflexão do quanto somos influenciados pela mídia e também pelas pessoas.

Durante a minha licença maternidade descobri o prazer de cuidar da minha vida (porque no trabalho, cuido da vida dos outros), arrumar a casa, cuidar do marido, passear com a minha filha, curtir os meus artesanatos. E também o prazer de ter TEMPO para pensar na vida.

A maioria de nós, trabalha de 8 a 10 horas por dia, sobrando pouco tempo para o lazer. Esse lazer muitas vezes é transformado em assistir a televisão. Só que: televisão = propaganda. Nós não assistimos ao o que queremos, e sim ao que “eles” querem.

Não ter tempo para pensar é o maior triunfo das indústrias. Se estamos sempre cansados e sem tempo, acabamos por não questionar, pois não pensamos na conseqüência daquela atitude. Somos movidos em massa, somos como um rebanho.

Aprendemos desde cedo que não podemos questionar as autoridades, que devemos obedecer. Não há diálogos nas escolas e no trabalho, muitas vezes só monólogos dos professores e chefes.

Há alguns anos, comprei uma bolsa de uma marca que eu considero cara, com a justificativa de que era uma bolsa de qualidade. Hoje não vejo o por quê de ter comprado, e vou explicar o motivo.

Quando vou em eventos da minha área, vejo a maioria das mulheres usando uma bolsa desta marca. E depois que percebi isso, sinceramente, sinto um certo mal-estar. É como se todas nós fossemos ovelhas, tão previsíveis, com comportamentos tão padronizados.

“Compre essa marca”, “essa marca é um luxo”, “essa marca é para poucos” e daí gastamos nosso salário em coisas que nos trazem status. Quantas vezes não compramos um objeto pensando em nos promover (mesmo que seja de forma inconsciente)? A maior prova disso são os logotipos visíveis, por exemplo, da bolsa que falei agora há pouco.

Eu considero que eu me antecipei ao ter comprado a bolsa. E doei porque não me identifico mais com esta marca. E desde então quando vou em eventos e reuniões, uso uma outra bolsa que eu tenho, esta, por sua vez, não ostenta a marca.

Eu não quero mais seguir o rebanho.

E você, quantas vezes não comprou algo só porque seu colega/amigo/parente tem algo e você desejou ter também? Já parou para pensar se era realmente o que você queria? Ou será que foi induzido por querer ter status ou fazer parte de uma “tribo”?

~ Guta ~

Escravidão disfarçada?

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Toda vez que eu estou no meu trabalho e vejo o sol, os passarinhos cantando e vejo que o tempo está bom, fico me perguntando o que estou fazendo dentro de um escritório…

E comecei a me perguntar o por quê de trabalharmos 8 horas por dia.

Segundo este site, na Revolução Industrial (século 18) as fábricas funcionavam sem parar. Para tornar tudo o mais eficiente possível, as pessoas tinham que trabalhar mais, entre 10 a 16 horas. Até que uma pessoa chamada Robert Owen começou uma campanha de que o ideal era “oito horas de trabalho, oito horas de lazer, oito horas de descanso.” As empresas perceberam que apesar de ter reduzido as horas de trabalho, a produtividade dos trabalhadores manteve estável, incentivando outras empresas a adotarem o mesmo padrão de 8 horas de trabalho.

E desde então, trabalhamos 8 horas por dia.

Agora que estou com uma filha, fico matutando isso na minha cabeça… demoro 30 minutos para ir ao trabalho, mais 30 minutos para voltar (que eu agradeço de joelhos, pois para quem mora em São Paulo, o “normal” é demorar 1 hora, 1 hora e meia só para ir ao trabalho). Somando as 8 horas de trabalho e 1 hora de almoço, fico fora de casa por um período de 10 horas. E quem ficará com a minha filha nessas 10 horas? Uma outra pessoa.

Trabalhamos 10 horas por dia sem ver a luz do dia. Trabalhamos 10 horas por dia para ter dinheiro o suficiente para que uma outra pessoa cuide dos nossos filhos.

Muitas profissões só existem por causa da bagunça que fazemos com o planeta. Se fossemos honestos, não precisaríamos de advogado, juiz, promotor, … Se fossemos honestos não precisaríamos de polícia, delegado, carcereiro, espião… Se não tivéssemos o costume de consumir e ostentar tanto, não precisaríamos de tantos shoppings, tantas indústrias, tanto desmatamento, tanta poluição, não geraríamos tanto lixo… enfim…

Acabamos construindo uma sociedade muito doentia.

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Como eu tento fugir disso tudo?

Primeiro: Não assistindo mais televisão. Desta forma, EU controlo o que assisto, e não ELES. Não assistir a propagandas comerciais me fez perceber que não sinto mais “falta” de produtos novos, pois nem fico sabendo da existência deles. Isso é ótimo!

Segundo: Não freqüentando mais shoppings. Olhar as vitrines dos shoppings faz ter vontade de consumir mais e mais, mas será que precisamos mesmo comprar?

Terceiro: Lendo notícias alternativas. As mídias atuais (Globo, SBT, Record, Veja, Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, UOL, CBN, Jovem Pam, Gazeta, IG, Terra, Yahoo, etc) são todas da direita, ou seja, na maioria das vezes, lemos apenas jornais com apenas um ponto de vista. Gosto de ler jornais da esquerda para saber o outro lado e a partir daí, tirar a minha própria conclusão.

Quarto: Tento sempre questionar o por quê de algumas teorias. Por que trabalhamos 8 horas? Quem inventou o dinheiro? Por que as pessoas falam que bebê tem medo do escuro se no útero não tinha luz? Pois já percebi que muitos de nós repetem algumas tarefas, simplesmente porque não nos foi ensinado questionar.

Copiei um parágrafo do blog Clube dos Poupadores que define muito bem a escravidão disfarçada.

Em todos os países, a grande massa populacional é educada para desejar a segurança abrindo mão da prosperidade. As escolas e universidades foram construídas para formar bons funcionários. O professor faz o papel do chefe. Os alunos devem aprender a obedecer o chefe, respeitando regras e executando as ordens dadas pelos professores. Os estudantes são treinados a decorar as informações sem questionar. Passamos muitos anos fazendo provas para aprender como executar tarefas exatamente da forma que foram ensinadas, sem perguntas e dentro de um tempo limitado. O nosso desempenho é medido através de provas e notas, usando critérios que depois serão utilizados nas empresas para avaliar o trabalho que fazemos. 

Já percebeu que você esqueceu de quase tudo que aprendeu na escola? Tirando ler, escrever e fazer cálculos básicos, esquecemos de anos de estudos. Isso não fará muita diferença. Dentro das empresas, as pessoas irão decorar processos, serão treinadas, irão respeitar regras e terão que executar tudo que for mandado, exatamente como foi mandado, sem questionamentos. Se você aprendeu a fazer isso na escola, parabéns, o objetivo era esse mesmo, você provavelmente é um bom funcionário.

Agora pare para pensar um pouco. Não é de se questionar a maneira como vivemos hoje?

~ Guta ~