Nunca pare de aprender

aprender

Se posso dizer que teve uma coisa que mudou (e muito) a minha vida, foi nunca parar de aprender.

Não estou falando apenas de fazer uma graduação, uma pós-graduação, um MBA, ou algo parecido. Mas o que tem revolucionado a minha vida de uma forma muito positiva é a curiosidade que eu tenho de aprender coisas novas.

Essas “coisas novas” não se resumem a conteúdo vamos dizer, acadêmico… e sim, a curiosidade em si.

Outro dia estava assistindo um vídeo no YouTube de como se fabrica uma bola de beisebol. Alguém aqui já teve curiosidade de pesquisar? Ou como os tubarões se comportam no mar? Ou como as abelhas produzem mel? Ou de como é instalado um piso vinílico? De como o bicho-da-seda produz a seda? E descobrir tudo isso é muito interessante, muito diferente da minha realidade, do meu dia-a-dia.

A internet revolucionou não só a informação, mas democratizou o conhecimento. Se não fosse pela internet, eu levaria muito mais tempo em descobrir estas coisas.

Reconhecer a importância de continuar aprendendo, foi fundamental para eu me conhecer melhor.

A seguir, o que eu tenho feito para tentar estudar nas minhas (poucas) horas vagas:

  • De manhã: como eu acordo e saio de casa para trabalhar antes do meu marido e minhas filhas acordarem, eu aproveito esses minutos de silêncio para ouvir uns vídeos curtos do YouTube enquanto escovo os dentes, me maquio e me arrumo para ir ao trabalho.
  • Na cozinha e lavanderia: há diversos canais interessantes sobre qualquer assunto que eu tenho curiosidade em aprender, desde finanças até marcenaria. Eu costumo ouvir os vídeos enquanto estou cozinhando, lavando louça, estendendo ou recolhendo as roupas do varal, enquanto guardo os brinquedos das crianças na caixa…
  • No transporte público: todos os dias eu leio (e-books que estão no meu kindle) durante todo o meu trajeto de ida e volta da casa-trabalho-casa. Mesmo lendo só nessas poucas horas por semana, consigo ler de 2 a 3 livros por mês.
  • Enquanto espero alguém ou algo em algum lugar: o meu kindle está sempre dentro da minha bolsa. Leio enquanto espero a minha vez no consultório médico, leio na fila do supermercado, enquanto espero uma amiga no café, etc.
  • Depois que meu marido coloca as nossas filhas para dormir: eu e meu marido combinamos que durante alguns meses, ele colocaria as nossas filhas para dormir, para que eu pudesse estudar nesse período. É nesse momento que eu pego meu notebook, caderno e lápis e estudo com afinco, com foco total, diferentemente dos vídeos que assisto enquanto lavo-louça que não exige tanta concentração.

Aprender nunca é demais.

Quando eu era estagiária na Faber-Castell, um dos Diretores chegou até mim e falou para eu nunca parar de aprender. Na época eu só entendi aquela frase como “faça um MBA, um mestrado, um doutorado, um intercâmbio” e coisas afins.

Hoje, consigo compreendê-lo de uma forma mais completa… não importa em quais coisas tenha interesse, o que atiça a curiosidade, mas ir atrás do conhecimento que está a um palmo da nossa mão, ao alcance dos nossos olhos é imprescindível. Tudo isso graças à internet.

Sempre tenha a seguinte pergunta na cabeça: o que eu estou aprendendo neste exato momento?

~ Yuka ~

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As 4 frases que tem mudado a minha vida

criticar

Há 4 frases que ao longo desses anos tem mudado a minha vida:

1. O que você está fazendo hoje para sair dessa situação?

A primeira frase eu cheguei até a fazer um post que está aqui.

2. Aqueles que não fazem nada estão sempre dispostos a criticar os que fazem algo (Oscar Wilde)

Essa frase tenho carregado comigo desde que compreendi o seu significado.

Antes, eu tinha muito medo das críticas. Tinha receio das pessoas me acharem boba, mas eu entendi que as pessoas que mais criticam, são justamente as pessoas que não fazem nada. É fácil criticar os outros quando se está sentado na cadeira apontando os outros.

Os homens dividem-se em dois grupos: os que seguem em frente e fazem alguma coisa, e os que vão atrás a criticar. Sêneca

3. Não sabendo que era impossível, ele foi lá e fez (Jean Cocteau)

Esta terceira frase serviu e ainda tem servido para várias situações da minha vida, inclusive para alcançar a independência financeira, ou FIRE – Financial Independence and Retire Early, algo como Alcance a independência financeira e aposente-se cedo.

Eu não conheço ninguém pessoalmente que tenha esse mesmo objetivo de vida que o meu, ou que tenha alcançado essa proeza. Mas é algo como a frase diz, por não saber que era impossível, eu tracei um plano, fiz todas as contas necessárias e projetei meu futuro. Só percebi que o que eu estava querendo alcançar era algo incomum quando estava muito empolgada e queria convencer as pessoas a fazer o mesmo e todo mundo me tratava como uma maluca.

4. Sorte é o nome que o vagabundo dá ao esforço que não faz (Leandro Karnal)

Esse aqui eu ouvi recentemente. Eu até publiquei um post em 2016 com o título “Cada escolha uma renúncia”, onde falo sobre esse assunto. Muita gente cisma em dizer que aquele cara empreendedor teve sorte, que aquele fulano teve sorte, e com isso menosprezam todo o esforço que a pessoa fez para chegar lá. É fácil dizer que uma pessoa teve sorte, quando não estamos dispostos a fazer o que a pessoa fez para ter sucesso. “Sorte é o nome que o vagabundo dá ao esforço que não faz”.

Veja se não acontece a mesma coisa com você? Quem são as pessoas que mais criticam? O que elas fazem de tão especial a ponto de criticar o que você faz? Na maioria das vezes…. Nada.

~ Yuka ~

Eles não querem que você enriqueça

capitalismo selvagem

Há algumas semanas, assisti a um vídeo do GuiaInvest com esse título: Eles não querem que você enriqueça.

Assisti despretensiosamente, mas me surpreendi com o vídeo e resolvi transcrever para deixar registrado aqui no blog (fiz pequenas alterações para a leitura ficar mais fluida).

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Eles não querem que você enriqueça

Você já teve a sensação de que por mais esforço que você faça, não consegue ganhar dinheiro suficiente? Isso acontece por causa da forma como o sistema funciona.

Você pode ter o melhor salário do mundo, receber uma gorda herança, ganhar na mega-sena! Mas se não souber como administrar e proteger o seu dinheiro, vai perder tudo!

O sistema é desenhado para que as empresas e as pessoas precisem o tempo todo de dinheiro e não parem nunca de produzir. Por isso o consumismo, a cobrança social e a ostentação são muito incentivados. Isso obriga as pessoas a correrem cada vez mais atrás do dinheiro para poder consumir e se sentirem protegidas financeiramente.

Então toda vez que você trabalha e consegue juntar um dinheiro, logo vem um lançamento de um telefone novo, um carro novo, uma roupa nova, para levar justamente o que você juntou.

A intenção é bem clara: tentar te convencer a gastar todo o seu dinheiro a qualquer custo. Essa é a grande verdade, é assim que o sistema sobrevive.

Eu não estou julgando se isso é bom ou ruim para a sociedade. Estou apenas dizendo que isso pode ser ruim para você. As próprias crises servem para limpar a sociedade de empresas e pessoas fracas financeiramente. Muitas pessoas acabam ficando presas nessa roda pelo resto da vida por não ter o conhecimento sobre o dinheiro.

Todos os problemas são orquestrados por alguns membros da sociedade que não querem que você tenha dinheiro de jeito nenhum, porque quanto menos dinheiro você tiver, mais terá que obedecer aquilo que eles desejam.

Hoje você vai entender quem eles são, como eles te impedem de enriquecer, como combate-los para poder alcançar a sua liberdade financeira.

Primeiramente, vou falar sobre os bancos. Alguns bancos criam complexos esquemas para arrancar o seu dinheiro, evidentemente sem que você perceba. A intenção dos bancos é fazê-lo endividar para mantê-lo como escravo, fazendo seu dinheiro suado ir para o bolso deles todos os meses através de juros e taxas. Por isso eles odeiam que você pague as contas em dia, ou que você tenha dinheiro sobrando, ou que você se recuse a ter um cartão de crédito. Basta ter um dinheiro na conta e eles farão de tudo para colocar a mão, oferecendo todos os tipos de armadilhas. Portanto, fazer o oposto do que eles querem é a melhor atitude para quem deseja enriquecer. Jamais dependa dos bancos, assim, você não se tornará escravo deles.

Agora eu vou falar sobre alguns membros da elite.

Você já deve ter ouvido falar que menos de 0,1% dos brasileiros possuem mais de 1 milhão de reais. Existe um erro muito comum na nossa sociedade que é denegrir todos os ricos como se eles fossem algo ruim. Muitas dessas pessoas conquistaram suas riquezas por mérito próprio, poupando e combatendo o consumismo exagerado. Porém, uma outra parte conquistou a riqueza se aproveitando das pessoas menos favorecidas, como eu e você, seja por corrupção, seja por formas ilícitas, por crimes, fraudes, etc. Eu não estou falando só de políticos. Como todo dinheiro que eles ganham vem do bolso de alguém que gastou, esses membros não querem que outras pessoas enriqueçam, pois toda vez que alguém enriquece, eles perdem uma fatia do bolo do dinheiro e de poder. Portanto, enriquecer é uma forma de você combater as maçãs podres que se aproveitam do sistema.

Agora vou falar sobre a mídia. A mídia não é má por si só, mas quando usadas por indivíduos maus, pode ser uma ferramenta muito cruel. Esses membros usam sua influência de seu poder financeiro para impedir que as pessoas evoluam financeiramente. Eles fazem isso estimulando o consumismo exagerado e convencendo você a fazer o que eles querem através da televisão. Por exemplo, eles mudam a moda o tempo todo para que você sempre se sinta desatualizado. E não fazem isso só com roupas, mas também com celular, carro, viagens… Quanto mais desatualizado você se sentir, mais terá que correr atrás da roda do dinheiro para voltar a se sentir incluído pelo padrão da sociedade. Ignorar a mídia é o caminho para você se libertar das amarras, das exigências inúteis da sociedade.

Agora vamos falar sobre o governo. O governo deveria existir para facilitar a vida das pessoas da sociedade. Mas às vezes, ele mais atrapalha do que ajuda. A começar pelo conhecimento. O governo não quer que você aprenda como administrar seu dinheiro, pois quanto mais você souber rentabilizar seu dinheiro, menos você precisará trabalhar. E é por isso que a educação financeira não é ensinada na escola. Se as pessoas soubessem lidar com o dinheiro, nós nos tornaríamos um país rico e isso seria insuportável para aqueles membros da elite que dependem de escravos financeiros para sobreviver.

O governo usa diversos mecanismos para te impedir de acumular dinheiro. Um dos mecanismos é a inflação. A inflação é uma forma de corroer o poder de compra de seu dinheiro. É como um imposto escondido que você paga obrigatoriamente e nem percebe. Outro mecanismo é o próprio imposto. Toda vez que você consome algo, paga cerca de 30% sobre o preço. Ou seja, se você consumir menos e aprender a investir seu dinheiro para superar a inflação, o governo não conseguirá abocanhar a sua grana tão facilmente. O governo também usa a mídia para incentivar o consumismo exagerado, porque quanto mais as pessoas consomem, mais dinheiro ele arrecada com impostos.

É por isso que muitas coisas que parecem boas, são na verdade horríveis para a economia.

Vou dar alguns exemplos.

Os ciclistas são horríveis para a economia. Eles não compram carro, não compram gasolina, não gastam com mecânicos, não pagam seguro, não pagam estacionamento, não pagam IPVA, não trocam pneus, não pagam pedágios, ficam mais saudáveis, acabam indo menos a médicos, e portanto gastam menos remédios.

As comidas orgânicas são péssimas para a economia, porque quem as consome não fica tão doente, não assina plano de saúde, não gasta com remédios, não gasta com consultas em hospitais, não gasta com exames…

E o mais importante, quem poupa e investe também é péssimo para a economia. Quem poupa não gasta dinheiro, não incentiva o consumismo em outras pessoas, não trabalha pelo resto da vida, não sustenta bancos pagando juros e taxas, não sustenta o governo pagando excessivos impostos, não sustenta as maçãs podres da elite, não rende dinheiro para a mídia. Mas o pior de tudo é que quem poupa e investe fica livre financeiramente, podendo realizar o que quiser, sem se preocupar com nada. Isso é péssimo para a economia, porque não ajuda a roda girar.

Mas a reflexão que fica é: aquilo que é bom para a economia, pode não ser bom para você. E aquilo que é bom para você, pode não ser bom para a economia. Qual das duas opções você prefere? Deixo para você essa reflexão.

*Texto extraído do vídeo do Canal do YouTube GuiaInvest.

~ Yuka ~

Saber ouvir (nos tempos atuais) é uma habilidade de poucos

saberouvir

Tenho reparado que muitas pessoas gostam de conversar, de falar, enfim, ser o centro das atenções…

…mas quantas pessoas dentre essas pessoas sabem ouvir de verdade?

Poucas. Pouquíssimas…

Pessoas que sabem ouvir tem se tornado cada vez uma raridade.

Eu lembro muito bem de uma colega que eu estava tentando ser amiga há alguns anos. E toda vez que eu começava a falar algo que tinha acontecido comigo, ela falava “comigo também aconteceu isso, e blá blá blá” e o assunto acabava se tornando o dela. Sempre era assim. Não importava quantas vezes eu tentasse, era impossível. Ela não queria me ouvir. Ela queria só falar dela. E no fim eu desisti.

Se a gente prestar atenção nas conversas, podemos perceber que o mais comum são duas pessoas monologando. Sim, monologando, e não dialogando:

– Esse fim de semana eu fui passear no zoológico com meu filho.

– E eu fui passear na praia.

– Foi muito legal o zoológico, meu filho adorou, pediu para voltar mais vezes.

– Minha filha também amou a praia, disse que quer aprender a nadar para entrar no mar.

Conseguem perceber o monólogo entre duas pessoas? São duas pessoas querendo falar só delas e não querem ouvir.

Em um diálogo, a pessoa perguntaria o que o filho achou do zoológico para a conversa poder evoluir.

Só que a pessoa não está interessada no filho da outra pessoa. Ela só quer falar que fez coisas legais também no fim-de-semana. E aí são duas pessoas surdas conversando, e por mais triste que isso possa parecer, é muito mais comum do que pensamos.

Meu marido gosta muito de fazer alguns experimentos enquanto conversa com as pessoas.

Um desses seus experimentos me chama muito a atenção por comprovar como as pessoas não estão mais interessadas em ouvir, só em falar de si mesma.

Durante a conversa, ele costuma falar “tem três coisas que mudaram a minha vida…”. Ele começa falando as duas coisas que mudaram a vida dele, e ele não fala a terceira de forma proposital. Se a pessoa estiver prestando atenção e interessada no que ele está falando, a pessoa perguntaria “E qual é a terceira coisa?”. E sabe o que é mais incrível? Praticamente ninguém faz essa pergunta, comprovando que as pessoas não estão ouvindo, só estão aguardando o momento certo para abrir a boca para falar delas mesmas.

É muito narcisismo. Eu quero ter pessoas ao meu redor que saibam dialogar comigo. Quero conviver com pessoas que ouvem e que eu também possa ser ouvida quando precisar.

~ Yuka ~

 

Mottainai: uma filosofia japonesa sobre desperdício

mottainai

Não posso dizer muito sobre a cultura de outros países, mas sei que Japão e Alemanha possuem uma cultura bem forte de evitar o desperdício.

Aqui no Brasil, percebo que as pessoas julgam (mal) quem luta contra o desperdício. É mais bem visto deixar sobras de comida no prato do restaurante, do que pedir para embrulhar para levar para a casa. É mais estiloso comprar uma bermuda nova, do que transformar aquela calça velha em uma bermuda. É mais fácil jogar fora a camiseta manchada, do que tingir com uma cor escura e continuar usando por mais alguns anos. É melhor avaliada a pessoa que sempre vem trabalhar com roupas diferentes, do que aquela que sempre vem com as mesmas roupas.

No Japão, existe uma palavra que eu gosto muito: mottainai.

Ela não possui tradução para o português, mas no Wikipedia, tem um trecho em que Hitoshi Chiba, autor do documentário Restyling Japan: Revival of the ‘Mottainai’ Spirit, tenta explicar um pouco sobre o conceito:

Muitas vezes ouvimos no Japão a expressão mottainai, que vagamente significa “desperdício”, mas em seu sentido pleno transmite um sentimento de temor e apreço pelas graças da natureza ou a conduta sincera de outras pessoas. Existe uma característica entre os japoneses de tentar usar algo por toda a sua vida efetiva ou continuar a usá-lo por repará-lo. Nesta cultura de carinho, as pessoas vão se esforçar em encontrar novas casas para posses que eles não precisam mais. O princípio mottainai estende-se à mesa de jantar, onde muitos consideram rude deixar mesmo um único grão de arroz na tigela.

No eCycle também tem uma definição bem legal:

As práticas que integram o espírito mottainai podem ser adotadas por qualquer um. São ações simples que evitam o desperdício de todo e qualquer recurso. Um pequeno gesto muito valorizado no Japão (e que é um primeiro passo para incluir o mottainai em sua vida) é não deixar nem um grão de arroz no prato (pegue porções pequenas; se não for suficiente, repita, mas não jogue comida fora). O Japão enfrentou períodos muito difíceis, como guerras, fomes e terremotos, e se desenvolveu em um território com recursos naturais escassos. A prática do mottainai foi essencial para a sobrevivência e para o crescimento do país, sendo uma das bases da cultura japonesa. O espírito ecológico e a prática da sustentabilidade, assim como o consumo sustentável, são formas de adotar o mottainai como filosofia de vida. Qualquer país iria se beneficiar ao seguir o exemplo do Japão, mas adotar o mottainai não precisa ser uma ação institucional. Na própria cultura japonesa foram as pequenas ações cotidianas (resultado de privações) que fizeram do mottainai um estilo de vida adotado por todo o país.

O mottainai não é apenas sobre desperdício de comida, de roupa, de dinheiro. É sobre desperdício de tempo, de talento, de oportunidades.

Podemos dizer mottainai, quando estamos jogando comida fora, pois esse alimento poderia estar alimentando outra pessoa que está passando fome neste exato momento.

Podemos dizer mottainai, quando estamos desfazendo de uma roupa que ainda está em condições de uso, mas que não queremos mais usar, porque simplesmente enjoamos.

Podemos dizer mottainai, quando percebemos que uma pessoa é completamente desorganizada. Dá uma sensação de que está desperdiçando tempo precioso da vida fazendo coisas desnecessárias.

Podemos dizer mottainai, quando há talento desperdiçado. Aquela pessoa que você enxerga um talento incrível fazendo coisas repetitivas de escritório.

Como vê, o conceito mottainai é muito mais profundo e belo, onde nada mais é do que uma filosofia que promove o respeito à vida.

~ Yuka ~

A importância de uma amizade

best friend

O leitor Julio me pediu para falar sobre amizades, sobre a cobrança que sentimos em relação a quantidade, e não qualidade.

Sabe que eu nunca me importei em ter muitos amigos? Há alguns anos, quando trabalhava numa empresa privada, conheci uma pessoa que era muito simpática e amável. Era a alegria de uma roda de conversa. Ela me chamava de amiga, e juro que tentei ser amiga dela, mas ela nunca tinha tempo para mim. Ela sempre tinha compromissos, ia para barzinhos e baladas nos fins de semana, sempre rodeada de pessoas e eu não conseguia ter uma conversa mais séria com ela. Ou seja, se eu estivesse passando por algum problema, ela não poderia me dar atenção, pois ela estava sempre ocupada para atender todos os seus amigos.

Se eu tenho 24 horas e ela também, não entendia como ela conseguia administrar tantas coisas e tantas pessoas nas mesmas 24 horas. Depois de um tempo eu descobri a resposta: ela não conseguia.

Veja bem, há tipos e tipos de pessoas. Eu descobri que eu não era o tipo de pessoa que conseguiria administrar 100 melhores amigos. Eu tenho um limite para conseguir dar atenção a todos.

Entendi que para dar atenção aos meus amigos, eu precisaria deixar de lado as amizades superficiais. Comecei fazendo pequenos testes… e se eu não ligasse mais, o que será que aconteceria? E a resposta foi: nada. A pessoa também não me ligou, o tempo passou e a amizade esfriou. Ou seja, eu não era importante. Aos poucos fui entendendo a diferença entre amigos de verdade e o que chamo de colegas.

Eu tenho vários colegas, mas poucos amigos.

Esses poucos amigos que tenho, são os que eu chamo de irmãos de alma. São pessoas que escolhi para caminharem junto comigo, são pessoas que irão envelhecer comigo.

Muitas pessoas dizem que amigo de verdade é aquele que segura a nossa mão quando estamos tristes. Eu discordo. Amigo de verdade é aquele que consegue ficar genuinamente feliz com as nossas conquistas. Quando eu passei no concurso público, não foram todas as pessoas que ficaram felizes com a minha felicidade. Alguns, sem explicação, se afastaram de mim.

Para mim, amizade verdadeira não é aquela que fica passando a mão na cabeça. O verdadeiro amigo é aquele que por mais que doa, diz as verdades que ninguém mais tem coragem de dizer.

Quando eu era mais nova, recebi um conselho de uma amiga sobre a importância de não esquecer os amigos (que é minha amiga até hoje – alô Dani!). Me ensinou que os relacionamentos vêm e vão na nossa vida, mas que a amizade permanece. Era no ombro dela que eu choraria e nos braços dela que eu sempre voltaria. Foi graças ao conselho dela que eu namorei, casei, divorciei e casei de novo, e todas as minhas amigas sempre estiveram do meu lado.

Algumas delas moram em outras cidades, pois cresci em Santos, estudei no interior de São Paulo e moro na capital, mas a distância nunca impediu que a amizade se dissolvesse.

Aos que não dão valor a um amigo, sempre penso… Quem estará conosco quando os nossos pais falecerem? Quem irá nos visitar quando estivermos doentes? Quem fará companhia quando estivermos aposentados? Quem irá nos aguentar quando estivermos com 80 anos? Os amigos!

Depois que saímos da adolescência, fazer amigos se torna uma tarefa mais difícil. As pessoas parecem estar sempre ocupadas, não estão disponíveis o tempo todo. Então procure uma pessoa que esteja disposta a ser nosso amigo. E continue sempre fazendo isso, sempre procurando pessoas que estão dispostas a nos conhecer.

Mas não se esqueça, para ter amigos, precisamos primeiro nos doar. Mostrar que podemos ser um ótimo amigo. Dar oportunidade para a pessoa nos conhecer.

Num mundo onde as pessoas só querem falar e não têm mais paciência e disponibilidade para ouvir, ter amigos de verdade significa saber valorizar o que a pessoa tem a nos oferecer e ensinar.

~ Yuka ~

Tchau! A vantagem de desapegar

desapego

Um dos maiores benefícios de viver uma vida de desapego é a possibilidade de nos livrar de sentimentos de responsabilidades que o acúmulo de coisas nos traz, ao ter que cuidar e manter coisas que nem usamos.

Ter uma casa abarrotada com objetos sem uso nos faz ter inúmeras preocupações como: o custo de uma casa de um tamanho razoável para manter e acomodar todos os nossos pertences sem uso, a manutenção das coisas desde tirar poeira, limpar, até consertar alguns eletrodomésticos e portáteis que nem são assim tão importantes. Veja um exemplo simples: se resolvo cozinhar um milho, vou até a cozinha, abro a porta do armário e já fico desanimada quando percebo que para tirar a panela de pressão, preciso tirar da frente a sorveteira, o mixer e as 5 frigideiras. Não seria muito mais fácil se com um único movimento conseguisse tirar a panela de pressão?

Outro exemplo que gosto de usar é em relação aos amigos. Temos diversos colegas que queremos chamar de amigos. Mas isso faz com que não consigamos dar a atenção devida para os nossos verdadeiros amigos. Como dispor de tempo para aquele amigo que precisa da nossa atenção, se toda semana surgem 4, 5 convites para passear? Alguém precisa ficar de fora. Será que esse alguém não está sendo justamente aquele amigo que precisava de nós?

As pessoas com as quais se importam verdadeiramente conosco, não se importam se andamos numa BMW ou de bicicleta. Se moramos em uma mansão ou em uma casa alugada. Se temos um emprego dos sonhos ou um emprego que nos faz feliz.

As pessoas que realmente se importam conosco só querem uma coisa: que sejamos felizes.

Enquanto muitas pessoas carregam dentro da bolsa o celular de última geração, andam com as roupas da moda, possuem carros caros e eletrônicos sofisticados, eu e meu marido viajávamos pelo mundo para conhecer as ilhas da Grécia, Nova York, Amsterdam, Paris, Vancouver, Japão, além de conhecer praticamente todos os Estados do Brasil…

Sabíamos exatamente o que nos deixava felizes. Não era o status social, tanto que pouquíssimas pessoas sabem que eu já viajei tanto. Não há fotos publicadas em lugar nenhum.

Também não viajamos para comprar coisas, eletrônicos, roupas. Viajamos para conhecer os lugares e saborear a comida. Para se ter uma ideia, a única coisa que eu trouxe de Amsterdam foi 1 cadeado para bicicleta. Só.

Não temos dívidas, não temos prestações do financiamento da casa, não precisamos nos preocupar com o seguro do carro, nem de abastecer ou calibrar os pneus. Também não preciso me lembrar de comprar presentes para o meu marido em datas festivas. Todas essas coisas que não preciso fazer, vai esvaziando a mente e liberando espaço para as coisas importantes da vida.

Quando converso com algumas pessoas, muitas delas acabam falando que se não morassem tão longe, também deixariam de ter um carro. Se não fossem pelos filhos, também morariam de aluguel. Se não fosse pela escola pública ser tão ruim, também optariam por uma. Se tivesse mais dinheiro, também moraria num bairro melhor. Se se se se…..

Não se iluda, viver com desapego é ao invés de usar o SE, usar o APESAR DE.

APESAR de morar longe, ir de transporte público por não querer ter um carro e aproveitar esse momento para ler algo prazeroso, e ainda conseguir usar parte do dinheiro economizado em viagens. APESAR dos julgamentos externos, morar de aluguel e investir toda a diferença em investimentos com bons retornos que traga paz para a família. APESAR da escola não ser boa, optar por uma pública e tentar reunir pais que tenham motivação para melhorar o ensino daquela escola.

Essa é a pequena diferença entre pessoas desapegadas e pessoas que carregam problemas nas costas.

Essa pequena diferença, no fim das contas, se torna a única e a mais notável diferença entre essas pessoas.

~ Yuka ~