Desfrute sem possuir

desfrute

Dando continuidade ao post anterior que tinha como título a frase budista:

“não é mais rico quem tem mais, mas quem precisa de menos”

Atualmente, temos diversas possibilidades de desfrutar bens e serviços sem a necessidade de comprar com a finalidade de ter. Nesta última década, surgiram tantos serviços e produtos novos, que hoje podemos ter benefícios de utiliza-los, mesmo não tendo a posse.

O ato de desfrutar sem possuir também pode ser chamado de economia compartilhada, segundo o site Consumo Colaborativo:

quando o consumidor paga pelo benefício do produto e não pelo produto em si. Tem como base o princípio de que aquilo que precisamos não é um CD e sim a música que toca nele, o que precisamos é um buraco na parede e não uma furadeira, e se aplica a praticamente qualquer bem.”

São os tempos modernos: a possibilidade de viver sem ter, e mesmo assim, manter o mesmo estilo de vida.

Alguns exemplos:

MORADIA

Precisamos de um lugar para morar, e não de uma casa. Podemos morar de aluguel em uma casa de 1 dormitório e nos mudar para uma casa maior quando a família aumentar/mudar de emprego. E quando as crianças crescerem e saírem de casa, podemos novamente morar em uma casa menor. Não há preocupação se o bairro desvalorizar, se o emprego mudar de endereço, se o vizinho for barulhento.

TRANSPORTE

O principal objetivo do transporte é levar uma pessoa de um lugar até o outro. Para isso, não precisamos ter um carro. Podemos ir de metrô, ônibus, táxi, Uber, bicicleta, carro alugado, etc. Não ter carro significa não ter que se preocupar com furto, IPVA, seguro, gasolina, estacionamento, lavagem do carro, troca do óleo, manutenção, etc.

LIVROS

Queremos ler o conteúdo do livro, e não ter o livro. Podemos solicitar empréstimo de livros em Bibliotecas, ou ter a versão online do livro (e-books), eliminando preocupações em relação a espaço para armazenamento e acúmulo de poeira.

MÚSICA

O que queremos é ouvir a música. Aproveite serviços de streaming como o Spotify.

ROUPA DE FESTA

Se há um casamento/festa para ir, há opções para alugar terno ou vestido. Com isso acaba-se a preocupação da roupa repetida e se a roupa ainda serve no corpo.

DVDs

Assista filmes utilizando serviços de streaming como a Netflix.

HD Externo

Se você utiliza um HD externo para fazer backup de fotos, seus problemas acabaram. Utilize o Google Fotos. É gratuito. É ilimitado.

Papéis, comprovantes, notas fiscais e manuais

Ao invés de guardar notas fiscais, boletos, documentos em papel, receitas culinárias em cadernos, armazene tudo no Evernote. Acesse de qualquer lugar: no notebook, no tablet ou celular.

Furadeira, escada e itens de uso esporádico

Como diz o site Consumo Colaborativo, precisamos de um furo e não de uma furadeira. Podemos pegar emprestado do vizinho ou até mesmo utilizar aplicativos como o Tem Açúcar que incentiva o empréstimo de objetos entre os vizinhos.

Hospedagem

Por que alugar um quarto pequeno de hotel se podemos alugar uma casa inteira pelo mesmo preço no HouseTrip ou Airbnb?

Esses são apenas alguns dos exemplos que eu lembrei e utilizo. Ainda deve haver diversas iniciativas desconhecidas por mim.

Essas pequenas/grandes atitudes nos permite mudar de bairro, mudar o tamanho da casa conforme a necessidade, até mudar de cidade ou país. Permite economizar espaço, dinheiro e recursos naturais. E finalmente, nos permite ter liberdade por não precisar ter preocupações.

Se vocês souberem de outras formas de desfrutar sem possuir, compartilhe nos comentários!

~ Yuka ~

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Não é mais rico quem tem mais, mas quem precisa menos

riqueza

Essa é uma frase budista.

A gente sempre acha que a felicidade está logo ali, mas nunca aqui.

A gente almeja mais e mais, sempre buscando por algo maior, mais caro, não percebendo que é uma busca incessante, sem fim. Uma armadilha do consumo e da expectativa.

O minimalismo tem estado na moda nestes últimos anos. Mas seguir um estilo de vida minimalista não é tão fácil como parece, pois para isso é necessário muito autoconhecimento, se afastar dos conceitos preconcebidos, reconhecer-se e curar das inseguranças que possuímos.

Se estamos bem, não sentimos necessidade de atender as demandas impostas pela sociedade e conseguimos desapegar de pessoas e de objetos.

Geralmente, consumir excessivamente é a forma que encontramos para preencher a sensação de vazio que reina dentro de nós. E assim descobrimos muitas vezes que o descontrole financeiro não é a causa, e sim a consequência.

Compramos para nos sentir incluídas em um grupo. Compramos para nos sentir amadas. Compramos para preencher o tempo ocioso.

Ao consumir de forma desnecessária, além do dinheiro gasto, perdemos tempo de vida para cuidar e manter o objeto em casa.

Veja o exemplo de ricos e famosos ostentando jatinhos, iates, mansões… como deve dar trabalho mantê-los.

Veja colegas se apertando financeiramente para ter um padrão de vida que não conseguem manter.

E finalmente chego a conclusão de que aquele que precisa de pouco para viver, está livre da escravidão do consumo.

– Yuka –

Salvar

DIY Quiet Book: um livro educativo para entreter a criança 

Na primeira experiência que eu tive da licença-maternidade, por mais incrível que isso possa soar, eu tive um tempo para mim, entre os intervalos da mamada e da soneca.

E nesses intervalos eu fiz um livro de atividades para criança, feito de feltro, conhecido como Quiet Book. Aliás, não fiz um livro, mas fiz quatro no total (pois eu tinha previsão de ter 3 filhos e queria dar de presente 1 livro para a filha de uma amiga querida).

Talvez por isso quando me descobri grávida da minha segunda filha, comecei a sonhar com vários projetos de artesanato que para fazer durante a minha licença-maternidade.

Só que na segunda licença-maternidade não consegui costurar 1 única barra de calça rsrs, para provar que cada filho é de um jeito mesmo. Uns mais independentes, outros mais carentes.

Eu deixei os livros de feltro guardados no fundo do guarda-roupa até que minha filha tivesse a idade certa para aproveitar o presente.

E finalmente o tão aguardado momento chegou, aos 2 anos e 5 meses. Ela já sabe contar, usa os dedos com habilidade, ou seja, já consegue brincar com o livro que fiz com tanto amor para ela.

Eu peguei as ideias deste livro em diversas páginas da internet, não foram criações minhas. Na época nem pensei em postar no blog, então infelizmente não salvei os links originais.

Este livro não está com a capa customizada, mas cada livro possui o nome da criança na capa.

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~ Yuka ~

O caminho de volta

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Semana passada, a leitora Cláudia me mandou um texto maravilhoso da Téta Barbosa Noblat, publicado em 2011 no Jornal O Globo, e eu não podia deixar de compartilhar aqui esse texto que se resume muito a essência do que discutimos neste blog.

Boa leitura:

O caminho de volta – por Téta Barbosa Noblat

Já estou voltando. Só tenho 37 anos e já estou fazendo o caminho de volta.

Até o ano passado eu ainda estava indo. Indo morar no apartamento mais alto do prédio mais alto do bairro mais nobre. Indo comprar o carro do ano, a bolsa de marca, a roupa da moda. Claro que para isso, durante o caminho de ida, eu fazia hora extra, fazia serão, fazia dos fins de semana eternas segundas-feiras.

Até que um dia, meu filho quase chamou a babá de mãe!

Mas, com quase 40 eu estava chegando lá.

Onde mesmo?

No que ninguém conseguiu responder, eu imaginei que quando chegasse lá ia ter uma placa com a palavra “fim”. Antes dela, avistei a placa de “retorno” e nela mesmo dei meia volta.

Comprei uma casa no campo (maneira chique de falar, mas ela é no meio do mato mesmo.) É longe que só a gota serena. Longe do prédio mais alto, do bairro mais chique, do carro mais novo, da hora extra, da babá quase mãe.

Agora tenho menos dinheiro e mais filho. Menos marca e mais tempo.

E num é que meus pais (que quando eu morava no bairro nobre me visitaram 4 vezes em quatro anos) agora vêm pra cá todo fim de semana? E meu filho anda de bicicleta e eu rego as plantas e meu marido descobriu que gosta de cozinhar (principalmente quando os ingredientes vêm da horta que ele mesmo plantou).

Por aqui, quando chove a internet não chega. Fico torcendo que chova, porque é quando meu filho, espontaneamente (por falta do que fazer mesmo) abre um livro e, pasmem, lê. E no que alguém diz “a internet voltou!” já é tarde demais porque o livro já está melhor que o Facebook , o Twitter e o Orkut juntos.

Aqui se chama “aldeia” e tal qual uma aldeia indígena, vira e mexe eu faço a dança da chuva, o chá com a planta, a rede de cama.

No São João, assamos milho na fogueira. Nos domingos converso com os vizinhos. Nas segundas vou trabalhar contando as horas para voltar.

Aí eu lembro da placa “retorno” e acho que nela deveria ter um subtítulo que diz assim: “Retorno – última chance de você salvar sua vida!”

Você provavelmente ainda está indo. Não é culpa sua. É culpa do comercial que disse: “compre um e leve dois”.

Nós, da banda de cá, esperamos sua visita. Porque sim, mais dia menos dia, você também vai querer fazer o caminho de volta.

(Escrito por Téta Barbosa Noblat)

~ Yuka ~

Viver com simplicidade

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Abro os olhos e a casa em silêncio. Meu marido e minhas filhas ainda dormem.

Levanto da cama e desligo a iogurteira. Transfiro para um pote para coar o soro, dentro de algumas horas, terei meu iogurte grego para comer no café da manhã com a granola caseira que fiz semana passada.

Como acordei cedo, aproveito para fazer um pão. Em 45 minutos, a casa inteira estará cheirando a pão quentinho.

Enquanto asso o pão, amamento a minha filha, deitada na cama mesmo, sentindo seu cheirinho gostoso de bebê, enquanto ela mama estalando a boca.

Depois que todos acordam e tomam o café da manhã, como o tempo está bonito, decidimos fazer um piquenique em um parque perto de casa.

Preparo um sanduíche rapidinho, separo algumas frutas, suco, água, tudo bem improvisado e coloco na bolsa térmica, sem esquecer de levar alguns pães para dar aos pássaros e peixes do parque.

Após passar uma tarde gostosa no parque, voltamos para a casa, tomamos banho, faço uma janta simples e quando olho no relógio, já passou da hora das crianças dormirem. Um corre-corre para colocar pijama, escovar os dentes, ler uma historinha e se preparar para dormir.

E aí começa a jornada das tarefas de casa: limpar a bagunça, recolher os brinquedos, lavar a roupa, enfim, tudo o que é necessário para manter a casa em ordem. Enquanto meu marido faz essa parte, eu vou para a cozinha preparar a comida que iremos levar amanhã no trabalho.

Já tarde da noite, sentamos ao redor da mesa de jantar para tomarmos um café (para ele) e um chá (para mim) – nenhum dos dois perde o sono com a cafeína – para conversarmos um pouco… ou muito… Geralmente gastamos nosso tempo conversando, conversando, conversando, nossa como a gente conversa.

E geralmente é assim que termina o nosso fim-de-semana.

Uma preciosidade sem tamanho viver assim, uma decisão acertada de viver uma vida com simplicidade.

~ Yuka ~