Minimalismo: um exercício para o autoconhecimento

autoconhecimento

Desde que passei a aderir o estilo de vida minimalista, sabia que algo estava fora da curva, alguma coisa martelava na minha cabeça, mas não sabia exatamente o que era.

Aos poucos, percebi que o que me incomodava era o consumismo em excesso que estava à minha volta.

Comecei a desapegar de várias coisas, desde roupas, sapatos, bolsas, objetos de casa, eletrônicos, produtos de beleza, maquiagem… e junto com o desapego, a alma foi ficando cada vez mais leve.

Em contrapartida, passei a perceber como as pessoas ao meu redor davam mais valor para a roupa que eu estava vestindo do que o que eu tinha a dizer. Pessoas entravam na minha casa desapontadas por eu não morar em um apartamento adequado para a minha idade ou meu cargo público, ou quando descobriam que eu não tinha carro, nem apartamento próprio, por preferir utilizar o transporte público e morar de aluguel por sentir-me mais livre.

Foi através dos olhares curiosos das pessoas que eu constatei o que já sabia: de como o mundo é movido pelo consumismo e ostentação. Trabalhamos para produzir, trabalhamos para consumir, consumimos para mostrar aos outros, e tudo gira em torno do excesso.

A moda agora é ostentar a felicidade no Facebook e Instagram, estar sempre com a roupa do momento, roupas descartáveis que duram apenas 1 estação; alimentos industrializados, fáceis de serem comprados e absorvidos pelo nosso organismo, fazendo com que depois de 2 horas já estejamos com fome novamente. Eletrodomésticos e eletroportáteis que propositalmente duram 3, 5 anos com a obsolescência programada.

Olhe ao seu redor. Você é realmente autêntico? Ou está seguindo a manada?

Será que o fato de querer um apartamento é um sonho seu? Ou um sonho que foi construído para ser seu?

Ser funcionário público traz estabilidade? Ou nos aprisiona pelo medo de trocar de emprego?

Veja as propagandas de carro. Brasileiro é louco por carros? Ou é louco por status?

Desconstruir uma teoria é muito mais difícil do que imaginamos.

O minimalismo tem me trazido esse senso crítico.

Ao não comparar a minha vida, minha roupa, meu salário, meu estilo de vida com a dos outros, comecei a descobrir o que de fato me faz feliz. E essas teorias pré-concebidas foram sendo derrubadas uma por uma.

E desde então, o minimalismo tem sido um grande aliado para o meu autoconhecimento.

~ Yuka ~

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31 comentários em “Minimalismo: um exercício para o autoconhecimento

    1. Oi Yasmin, eu não me arrependo em ser funcionária pública, na verdade eu tenho gratidão, pois sei que tudo o que eu conquistei até hoje foi graças ao meu trabalho. Porém, vejo pessoas que literalmente deixam de viver para tentar passar em concurso público, pessoas que acham que o cargo público traz estabilidade, e não acredito que isso seja uma verdade. Veja o meu caso, eu nunca tive reajuste salarial ajustado à inflação nestes últimos 10 anos. E pra piorar, nesses últimos 3 anos, eu não tive reajuste salarial. Mas não reclamo porque eu tenho consciência de que estou onde estou porque eu quero. O dia em que não estiver satisfeita, eu vou em busca de outro emprego. Agora vem a outra parte… eu tenho um salário bem bom para a média brasileira e é isso que me impede de mudar de emprego. Eu não sinto que sou realizada profissionalmente, na verdade, sinto que eu tenho muito mais a oferecer. Meu marido diz que sou um desperdício trabalhando como funcionária pública. Eu trabalho bem, faço o que tem de ser feito, na verdade, às vezes até acho que faço além do que tenho que fazer, mas o meu trabalho não preenche meu coração. E é isso que me parte o coração, pois sinto-me atada, aprisionada, uma escrava moderna… minha alternativa foi estudar finanças para escapar desse ciclo vicioso.

      1. Entendi Yuka e te compreendo…me tornei funcionária pública na minha área (contábil) há 3 anos e adquiri recentemente a minha estabilidade, e sinto o mesmo, que ainda não é isso que preenche o meu coração, apesar de gostar muito de trabalhar onde estou. Mas, pelo fato de que sempre quis ser professora (amoooo ensinar) eu atualmente pego uns cursos (na área contábil mesmo) para lecionar umas vezes por ano e isso acaba por me satisfazer. Também estou com o salário acima da média e tenho muita gratidão por tudo! ❤

  1. Boa tarde Yuka, tudo bem ? Mais uma vez me identifiquei com o seu post, você não está sozinha eu também passo muito por isso, as pessoas ao meu redor não entendem o meu estilo de vida sem carro e sem prestação de apartamento para pagar, e sem outras coisas que não considero importantes que visem o status e a ostentação correspondentes ao meu emprego e nível académico. Não tenho dúvidas que estou indo contra a manada. O que me conforta é que meu marido também pensa igual a mim. Está semana escutei de um colega de trabalho que o bairro onde eu moro não é para mim é que eu preciso me mudar para outro bairro acredita ? Sem contar as coisas que eu escuto por não ter carro. São essas e outras que temos que escutar de nossos colegas e familiares mas não me importo porque trabalho para pagar as minhas contas e tenho a vida que escolhi ter neste momento. As pessoas acham “normal ” pagar três apartamentos para ter 1, comprar um carro e pagar 50/60 % de juros, “não ter tempo para dormir, comer, passear, etc …” me recordo de um post que você disse que bom que acordei a tempo, eu também. Continue com seus posts pois é uma forma de saber que não estou sozinha. Ah eu estava em uma perfumaria escolhendo um perfume porque o meu tinha acabado e vi o seu e me lembrei de você, cheiro de mulher rica e poderosa, rs Um grande abraço

    1. Oi Fernanda. Com certeza nós somos a minoria. Pensar fora da caixa muitas vezes ofende as pessoas… “como ela consegue se eu não consigo?”, “porque ela parece ser mais feliz mesmo não comprando coisas?” e por aí vai. Estou pensando seriamente em ir e voltar ao trabalho de bicicleta (hoje eu uso o metrô) pra aproveitar e fazer exercício físico durante o meu percurso para casa. Imagina a cena quando o pessoal do meu trabalho me olharem pela primeira vez entrando no estacionamento da empresa de bicicleta rsrsrs? Vai ser engraçado. Sério que você lembrou do meu perfume? rsrsrs Adorei! Beijos.

      1. Yuka acho a ideia ótima infelizmente onde eu moro não posso pegar o metrô e nem andar de bicicleta pelo perigo meu marido tem carro e me leva sempre para o trabalho. Quanto ao pessoal do seu trabalho não se acanhe um dia desses estava vendo que um milionário muito famoso ( não quiseram revelar o nome) vai e volta do trabalho de bicicleta acredita ? Se ele pode, você também , rs

        1. Quando li o livro O milionário mora ao lado, percebi que os milionários são muito mais frugais do que imaginamos. Milionários que ostentam são a minoria, a maioria dos milionários são discretos, vivem com menos do que possuem. Não é essa a imagem que temos, não é mesmo? Acho muito legal quando esses milionários não perdem a essência… andam de bicicleta, moram no mesmo bairro que nasceu, possuem os mesmos amigos do colégio, comem coxinha na rua rsrsrs.

  2. Fantástico! Vai exatamente com o que li no livro minutos de sabedoria. A página de hj falava sobre esse “seguir a manada” e não ser autêntico. Que a felicidade anda de mãos dadas com a autenticidade e a paz no coração. =*** o universo mandando a mesma mensagem por todos lados.

  3. Ah …como eu amo seus posts, são todos fantásticos mesmo tenho que concordar com a Camille !
    Parabéns por tanto conteúdo que nos fazem refletir, é muito bom 🙂
    Por isso sigo a meta do essencial, e que sejamos felizes com equilíbrio 😀
    Super bjs para você Yuka ❤

  4. Seu blog está sendo uma “dose de ânimo ” tenho sorte de ter meu marido ao lado nesse propósito mas eu que “estou aprendendo” a desapegar, disposta a mudar vejo como julgam ir na contramão… como somos “formatados” adorei os comentários… linda noite

  5. Olá Yuka!!

    Que post maravilhoso, me identifico muito com você. Sou funcionária pública municipal desde 2010 e como sou filha de funcionários públicos, parece que isso ficou gravado em mim de alguma forma como sendo a fórmula de uma vida tranquila. Mas sabemos que não é. A cada troca de gestão vem as mudanças (normalmente para pior aqui na minha cidade) e as incertezas, a falta de investimento e também não temos reajuste há anos, mas ainda assim, na minha área, considero a melhor opção (trabalhei na iniciativa privada por 6 anos e não voltaria). Meu marido é advogado e possui escritório, a exemplo dos pais dele, ele diz que prefere a vida de autônomo, mas eu não consigo viver com a incerteza de quanto vou receber no mês, SE vou receber, etc. Sou muito organizada e gosto de ter “certezas”, de me programar, então o fato de ser concursada me dá essa vantagem, pois sei que se eu não fizer plantão em determinado mês vou receber uma quantia X. Se eu fizer tantos plantões vou receber Y, então posso ajustar meu trabalho conforme as necessidades. O minimalismo me deu a oportunidade de me desvencilhar de muitas idéias pré concebidas de felicidade.Antes eu queria muito uma casa própria. Hoje vejo a “burrice” disso (não queria usar essa palavra mas não achei outra melhor) e percebi o quanto é mais vantajoso morar de aluguel (moro de aluguel há 10 anos). Sempre odiei dirigir mas amava ter carro (faz sentido?), tanto que em 16 anos que tenho carteira de motorista, já tive 7 carros!! 7!!! Já fazia um tempo que eu sondava sobre vender o carro e andar de uber (na minha cidade não tem metrô e os ônibus são terríveis) pois o trânsito sempre foi uma coisa que me tira do sério. Essa semana, aproveitando que meu carro está na concessionária devido a uma colisão (mais despesa!!), resolvi andar apenas de uber, sem usar o carro reserva do seguro. Te falo que está sendo a coisa mais libertadora do mundo e já avisei meu marido que quando meu carro ficar pronto, vou anunciar para vender. Vamos ficar apenas com o carro dele, mas usarei outros tipos de transporte no dia-a-dia. Estou tão feliz, nunca achei que isso fosse acontecer, quem me conhece até estranha.As pessoas tem que parar de se preocupar com a vida alheia e procurar viver suas próprias vidas conforme seus valores, e principalmente parar de fazer comentários, acho engraçado a liberdade que as pessoas tem de vir nos questionar sobre nossas decisões pessoais. Enfim, desculpa o textão!! Um grande beijo!!

    1. Oi Camila, adorei ler seu comentário. Sério, deu gosto de ver como você tem uma cabeça boa. Também gosto de ser funcionária pública (apesar dos apesares, né?), pelo menos por enquanto. Meu marido tem um emprego instável (a cada 2 anos ele tem que renovar seu contrato, então sempre ficamos na dúvida se será renovado ou não) e agora com 2 filhas, o meu emprego tem sido o nosso pilar da tranquilidade. Morar de aluguel é muito bom, principalmente quando fazemos a conta na ponta do lápis. Eu ouço muito as pessoas dizerem que eu estou perdendo dinheiro morando de aluguel, mas como eu faço investimentos em renda fixa e variável, definitivamente meu dinheiro rende muito mais do que se eu comprar um apartamento. Fora que pra mim, uma das maiores vantagens é a mobilidade. Há um tempo atrás, era só eu e meu marido, então morávamos num apartamento de 1 dormitório. Hoje que temos 2 crianças, nos mudamos para um apartamento de 2 dormitórios. Ainda não sabemos onde elas vão estudar, mas quem sabe podemos nos mudar para perto da escola delas daqui a alguns anos? Essa mobilidade traz muitas vantagens. Sobre você usar Uber, acho uma ótima ideia, principalmente porque seu marido já tem 1 carro, então na emergência, dá para usar o carro dele. Vai ser uma economia e tanto. Eu estou pensando seriamente em ir de bicicleta para o meu trabalho (o pessoal do meu trabalho vai ficar de cabelo em pé rs), vai ser legal, uma forma de fazer exercício físico. Uma coisa que eu tenho percebido há alguns anos é que eu converso muito sobre meu casamento, sobre minhas filhas, sobre o que acontece no meu trabalho com as minhas amigas, mas não consigo conversar sobre o minimalismo, sobre investimentos e desenvolvimento pessoal. A conversa fica no âmbito superficial e não consigo discutir ideias. Então acabo conversando muito com o pessoal que lê o meu blog, e isso é muito legal. Um beijo pra você.

  6. Olá

    Você escreveu esse post pra mim? Acho que sim! rs
    Ha tempos venho questionando isso… Também sou servidora pública e estou estudando, estudando, estudando, me matando de estudar para tentar algo melhor.
    Mas aí eu paro para me perguntar: por quê?

    Claro, não recebo o salário dos meus sonhos, e ganhar um pouco a mais não seria nada mal.
    Mas será que vale a pena anular a vida desse jeito?
    Estou me redescobrindo e revendo meus reais interesses…

    Bjs!

    1. Oi Dani. Lendo o comentário das pessoas, incluindo o seu, eu vejo que o minimalismo é realmente a ponta de um iceberg para o autoconhecimento. Livra-se primeiro das roupas, depois dos sapatos, dos papéis e quando a gente percebe, aprende-se a se livrar do que não é importante na nossa vida para focar no que é essencial. Tudo nessa vida foi inventado por nós, humanos. E aprendemos (ou somos condicionados) que precisamos estudar desde a pré-escola, não questionar professores, não questionar chefes, não questionar por que o mundo foi feito daquela forma (por exemplo, mulheres usam saia, homens não podem usar; mulheres precisam depilar, homens não podem chorar, criança que questiona é desobediente, etc). Mas ao deixar a mente aberta, percebemos que as muitas verdades ditas pela sociedade, não servem para todo mundo. Somos 7 bilhões de pessoas, não precisamos encaixar todos na mesma fôrma como tentam fazer. Vou colocar um link de um vídeo que tem duração de 3 minutos que me fez pensar muito essa semana. Eu estou revendo (ainda mais) a minha forma de pensar, sobre a minha profissão, tentando descobrir o que realmente amo fazer. Espero que goste. Beijos. https://www.youtube.com/watch?v=IOWJxFkvLKk

  7. Quando leio textos assim eu fico feliz de saber que ainda existe gente no mundo que compreende a minha forma de ser e pensar. Infelizmente não tenho encontrado pessoalmente tantas pessoas assim, mas eu ainda tenho esperanças de que num futuro próximo nosso planeta tenha mais pessoas pensando como você, como eu e como muitas das pessoas que vem aqui comentar.
    É difícil viver num mundo onde você é criticado o tempo inteiro pela sua maneira de viver, é como ser um peixe fora d’água e tentar dar explicações cada vez mais fáceis para as pessoas entenderem seu ponto de vista e cada vez mais falhar nisso também. Seus textos me deixam extremamente feliz, muito obrigada por compartilhar tudo isso 🙂

    1. Oi Érica, realmente, na internet a gente até encontra algumas pessoas que tem o mesmo pensamento que a nossa. Mas no dia-a-dia, no trabalho, no círculo familiar, é difícil encontrar pessoas que tenham o mesmo tipo de consciência. Eu estou descobrindo que poucas pessoas têm consciência sobre a importância do autoconhecimento, o que quer e para onde quer ir. Se tento conversar sobre o assunto, ninguém se interessa, querem falar sobre amenidades, sobre pessoas, sobre coisas nunca sobre ideias. Obrigada por acompanhar o blog. Um grande beijo!

  8. Que post incrível! Primeiro pelo minimalismo que realmente vem para dar uma leveza na nossa vida que é tão pesada, cheia de coisas e expectativas, mas também por você falar um pouco sobre seu trabalho como funcionária pública. Realmente a sensação é que passar em um concurso traria segurança e estabilidade, mas e a felicidade não é? Obrigada por compartilhar conosco sua experiência. Beijos

    1. Oi Josi, nós temos muito a ilusão de que ser funcionário público irá resolver todos os problemas e na verdade não é bem assim, né? Conheço muitos funcionários públicos que estão atolados em dívidas, apesar do bom salário. Então na verdade não é o quanto recebemos e sim como gastamos nosso dinheiro. Um beijo pra você.

  9. Sua lindaaaaa, adorei ver seu rostinho… te imaginava diferente…. cabelo bem curtinho e óculos kkkkk Nunca permita que ningurm te defina. SEU blog ja faz parte do meu dia … que sorte re encontrar…. gratidão!!!

  10. Ola Yuka. Sou funcionaria publica desde 2006. Meu marido tbm é, mas desde fevereiro desse ano. Acontece que ambos somos funcionarios municipais. ( Cidades diferentes, mas vizinhas). Temos vontade de mudar de cidade, as vezes ate de pais. Mas sendo que nossa fonte de renda é apenas essa, o medo da mudança nos paralisa.

    1. Oi Cintia, um dos problemas que impedem que a gente faça o que realmente temos vontade é o medo. O medo geralmente vem pela insegurança e instabilidade financeira. E se eu não conseguir sustentar minha família? E se eu não conseguir me recolocar profissionalmente? É o meu caso. E acho que é o seu também. Uma das formas de escapar dessa insegurança é alcançar a independência financeira, ou seja, quando os rendimentos provenientes de seus investimentos forem superiores aos gastos mensais. Isso significa que mesmo se você parar de trabalhar, terá dinheiro entrando na sua conta. Mesmo se você estiver dormindo, vai entrar dinheiro na sua conta. Eu estou investindo pesado mensalmente com o intuito de alcançar essa liberdade de poder fazer o que eu quiser. A gente acha que é difícil ou impossível alcançar esse feito, mas é porque esquecemos dos juros compostos. Os juros compostos é que faz toda a mágica acontecer. Beijos.

  11. Acho que fiz sem querer um comentario anonimo. So pra vc saber que fui eu, falei sobre o fato de que eu e meu marido somos funcionarios publicos e isso nos paralisa.

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