Escravidão disfarçada?

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Toda vez que eu estou no meu trabalho e vejo o sol, os passarinhos cantando e vejo que o tempo está bom, fico me perguntando o que estou fazendo dentro de um escritório…

E comecei a me perguntar o por quê de trabalharmos 8 horas por dia.

Segundo este site, na Revolução Industrial (século 18) as fábricas funcionavam sem parar. Para tornar tudo o mais eficiente possível, as pessoas tinham que trabalhar mais, entre 10 a 16 horas. Até que uma pessoa chamada Robert Owen começou uma campanha de que o ideal era “oito horas de trabalho, oito horas de lazer, oito horas de descanso.” As empresas perceberam que apesar de ter reduzido as horas de trabalho, a produtividade dos trabalhadores manteve estável, incentivando outras empresas a adotarem o mesmo padrão de 8 horas de trabalho.

E desde então, trabalhamos 8 horas por dia.

Agora que estou com uma filha, fico matutando isso na minha cabeça… demoro 30 minutos para ir ao trabalho, mais 30 minutos para voltar (que eu agradeço de joelhos, pois para quem mora em São Paulo, o “normal” é demorar 1 hora, 1 hora e meia só para ir ao trabalho). Somando as 8 horas de trabalho e 1 hora de almoço, fico fora de casa por um período de 10 horas. E quem ficará com a minha filha nessas 10 horas? Uma outra pessoa.

Trabalhamos 10 horas por dia sem ver a luz do dia. Trabalhamos 10 horas por dia para ter dinheiro o suficiente para que uma outra pessoa cuide dos nossos filhos.

Muitas profissões só existem por causa da bagunça que fazemos com o planeta. Se fossemos honestos, não precisaríamos de advogado, juiz, promotor, … Se fossemos honestos não precisaríamos de polícia, delegado, carcereiro, espião… Se não tivéssemos o costume de consumir e ostentar tanto, não precisaríamos de tantos shoppings, tantas indústrias, tanto desmatamento, tanta poluição, não geraríamos tanto lixo… enfim…

Acabamos construindo uma sociedade muito doentia.

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Como eu tento fugir disso tudo?

Primeiro: Não assistindo mais televisão. Desta forma, EU controlo o que assisto, e não ELES. Não assistir a propagandas comerciais me fez perceber que não sinto mais “falta” de produtos novos, pois nem fico sabendo da existência deles. Isso é ótimo!

Segundo: Não freqüentando mais shoppings. Olhar as vitrines dos shoppings faz ter vontade de consumir mais e mais, mas será que precisamos mesmo comprar?

Terceiro: Lendo notícias alternativas. As mídias atuais (Globo, SBT, Record, Veja, Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, UOL, CBN, Jovem Pam, Gazeta, IG, Terra, Yahoo, etc) são todas da direita, ou seja, na maioria das vezes, lemos apenas jornais com apenas um ponto de vista. Gosto de ler jornais da esquerda para saber o outro lado e a partir daí, tirar a minha própria conclusão.

Quarto: Tento sempre questionar o por quê de algumas teorias. Por que trabalhamos 8 horas? Quem inventou o dinheiro? Por que as pessoas falam que bebê tem medo do escuro se no útero não tinha luz? Pois já percebi que muitos de nós repetem algumas tarefas, simplesmente porque não nos foi ensinado questionar.

Copiei um parágrafo do blog Clube dos Poupadores que define muito bem a escravidão disfarçada.

Em todos os países, a grande massa populacional é educada para desejar a segurança abrindo mão da prosperidade. As escolas e universidades foram construídas para formar bons funcionários. O professor faz o papel do chefe. Os alunos devem aprender a obedecer o chefe, respeitando regras e executando as ordens dadas pelos professores. Os estudantes são treinados a decorar as informações sem questionar. Passamos muitos anos fazendo provas para aprender como executar tarefas exatamente da forma que foram ensinadas, sem perguntas e dentro de um tempo limitado. O nosso desempenho é medido através de provas e notas, usando critérios que depois serão utilizados nas empresas para avaliar o trabalho que fazemos. 

Já percebeu que você esqueceu de quase tudo que aprendeu na escola? Tirando ler, escrever e fazer cálculos básicos, esquecemos de anos de estudos. Isso não fará muita diferença. Dentro das empresas, as pessoas irão decorar processos, serão treinadas, irão respeitar regras e terão que executar tudo que for mandado, exatamente como foi mandado, sem questionamentos. Se você aprendeu a fazer isso na escola, parabéns, o objetivo era esse mesmo, você provavelmente é um bom funcionário.

Agora pare para pensar um pouco. Não é de se questionar a maneira como vivemos hoje?

~ Guta ~

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8 comentários sobre “Escravidão disfarçada?

  1. Guta, gostei muito do seu texto. Também acho sem sentido essa jornada de 8h/dia de trabalho, mas é super complicado achar um lugar que permita um outro horário. Li um texto há um tempo em que o autor dizia que essa jornada existe mais para manter a sociedade baseada no consumo – já que não temos tempo para nada, pois passamos o dia todo fora de casa, consumimos mais produtos e serviços que trariam “comodidade” e “facilitariam” a vida. Essa jornada de 8h/dia é uma das coisas que mais me irritam, mas infelizmente não vejo nenhuma perspectiva de mudança dessa situação (pelo menos por enquanto).

    • Depois que a gente descobre o porquê de algumas teorias e tira o “véu da ignorância” é muito difícil fingir que está tudo normal. Não é normal outra pessoa cuidar da nossa cria, não é normal viver num mundo de ostentação, não é normal ter que trabalhar tanto para pagar dívidas de coisas que na verdade nem precisamos. Eu concordo com você, trabalhamos muito para nos deixarem inertes, cansados e anestesiados. Assim, não temos força nem disposição para lutar pelos nossos direitos. Quem sabe um dia não conseguimos nos libertar de trabalhar 8 horas por dia… Beijinhos!

  2. Também penso sobre essa questão: por que trabalhamos 8 horas por dia. E a minha resposta para essa questão é a seguinte: Nós temos que ter algo para nos ocupar e temos necessidades, vontades, desejos, objetivos e aspirações. Não nascemos para ficar olhando para o teto dentro do nosso quarto esperando a morte chegar. E o trabalho nos ocupa e contribui para o cumprimento das necessidades, vontades, desejos, objetivos e aspirações nossas e de outras pessoas. E assim tudo se torna um clico que se completa, um quebra-cabeça que se encaixa, uma engrenagem de um motor que faz tudo funcionar. Se não tivéssemos esse ciclo/quebra-cabeça/motor, ainda estaríamos na idade da pedra e morando nas cavernas. E é aí que entram a infinidade de todos trabalhos, é aí que entram as empresas e o consumo.

    Eu, por exemplo, gosto de viajar. Quantas empresas estão envolvidas nesse meu “gosto”: as empresas que fabricam os aviões/ônibus/carros, as companhias aéreas, a construção/manutenção de aeroportos, os restaurantes, os hotéis. “Milhares” de pessoas precisam trabalhar 8 horas por dia para que eu possa viajar. Eu gosto de séries de tv. “Milhares” de pessoas precisaram trabalhar 8 horas por dia para fabricar a TV que tenho em casa. Milhares de pessoas precisam trabalhar 8 horas por dia para construir e fazer a manutenção da hidrelétrica para que a energia elétrica possa chegar em casa para ligar a tv. Sem contar as milhares de pessoas envolvidas nas indústria de entretenimento. E agora multiplique isso por uma infinidade de gostos pessoais da nossa população. E isso serve para tudo! Para o carro que usamos, para a rua que andamos, para o parque que frequentamos aos domingos, para as fraldas dos nossos filhos, para os brinquedos, os perfumes, as comidas, as roupas, para o colchão que dormimos……… e tantos outros milhões pessoas trabalham 8 horas por dia para atender as necessidades de outros tantos milhões pessoas. (nossa! tô parecendo o Levy Fedelix com esses milhares, milhões! kkkk)

    Também me pergunto o porquê do meu trabalho: no departamento fiscal de uma indústria que fabrica equipamentos para extração de óleo de soja. E então me lembro: é porque eu e outros milhões de pessoas precisamos de óleo de soja para fritar o bife acebolado no almoço de hoje. Para fazer uma pipoca assistindo às séries que eu tanto gosto. Para comer um pastel fritinho na hora na feira no domingo de manhã.

    O problema surge quando por exemplo, se a empresa em que eu trabalho demitisse toda minha equipe e somente eu fizesse o trabalho de todo o departamento fiscal, para cortar custos e aumentar o lucro… E o nome desse problema é ganância. Mas aí já é outro assunto!

    Precisamos consumir. O problema surge no consumo inconsciente e na necessidade de ostentar, que aqui no Brasil é algo desvelado. Mas aí já é outro assunto!

    • Eu não sou contra o trabalho, mas acho que poderíamos trabalhar 4 ou 6 horas e ter mais tempo para curtir o dia, e não ficar na espera do fim de semana para poder almoçar com a família. A experiência da Finlândia de oferecer um salário mínimo para todos parece ser desafiador e interessante, pois as pessoas continuarão a trabalhar, pois é a forma de se conectar ao mundo e de se socializar. Mas também é uma oportunidade de buscar um trabalho que tenha mais afinidade e a diminuição da desigualdade social. Se essa experiência der certo, acharia fantástico.

      • Também já pensei nisso, e se diminuirmos 4 ou 6 horas por dia? Teríamos mais tempo livre e ainda geraria mais empregos, pois se tenho que trabalhar 8 horas por dia para dar conta do meu trabalho, se eu trabalhar 4 ou 6, uma parte do meu trabalho iria ficar sem fazer e, como temos prazos e obrigações fiscais a cumprir, mais uma pessoa seria contratada. No mundo teórico é maravilhoso, porém no mundo real as coisas não são tão simples assim: atualmente no Brasil está muito, MUITO difícil arrumar pessoas capacitadas, qualificadas e que querem trabalhar. A grande maioria pessoas querem um emprego, mas não querem trabalhar. Não querem ter responsabilidades e não querem se comprometer. O que importa é o salário no final do mês. Novamente a título de exemplo, na empresa em que trabalho precisamos urgente de soldadores e caldeireiros. Aparecem vários, mas BONS mesmo… são raros. E fica a alta rotatividade. No departamento fiscal também há falta de bons funcionários, ainda mais no nosso país onde as obrigações fiscais estão ficando cada vez mais “loucas” e complexas. É complicado… uma coisa envolve a outra e infelizmente estamos a anos-luz atrás de países escandinavos. Não dá para comparar… vai demorar para chegarmos lá! Infelizmente.

  3. Oi, Guta, tudo bem ?

    Realmente , infelizmente em pleno século XXI, esse ainda é um assunto que tem que ser discutido .

    Aqui vai a dica de um filme muito lindo sobre esse assunto ( baseado em história verídica – o retrato em questão existe e está em museu até os dias de hoje – está passando nos Canais TeleCine ) :

    Belle

    Belle é um filme de drama histórico britânico realizado por Amma Asante, escrito por Misan Sagay, produzido por Damian Jones e estrelado por Gugu Mbatha-Raw, Tom Wilkinson, Miranda Richardson, Penelope Wilton, Sam Reid, Matthew Goode, Emily Watson, Sarah Gadon, Tom Felton e James Norton.
    O filme foi inspirado no retrato de 1779 de Dido Elizabeth Belle ao lado de sua prima Lady Elizabeth Murray, na Kenwood House, que foi comissionada pelo seu tio-avô, William Murray, e em seguida Lord Chief Justice of England.
    O filme foi exibido no Reino Unido em 13 de junho de 2014, e em Portugal o filme foi exibido nos cinemas em 6 de novembro de 2014, sob a distribuição da Outsider Films

    Argumento
    Belle é a filha ilegítima mestiça do sobrinho de Mansfield. Ela nasceu na Inglaterra no século XVIII e foi concebida de um relacionamento ilegítimo entre uma escrava negra e um almirante da Marinha Real. Seu pai vai para a guerra e confia os cuidados de Belle a seu tio.

    Beijos

    Soraya

  4. Pingback: Retrospectiva dos meus posts de 2015 | VIVER SEM PRESSA

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