Saber ouvir (nos tempos atuais) é uma habilidade de poucos

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Tenho reparado que muitas pessoas gostam de conversar, de falar, enfim, ser o centro das atenções…

…mas quantas pessoas dentre essas pessoas sabem ouvir de verdade?

Poucas. Pouquíssimas…

Pessoas que sabem ouvir tem se tornado cada vez uma raridade.

Eu lembro muito bem de uma colega que eu estava tentando ser amiga há alguns anos. E toda vez que eu começava a falar algo que tinha acontecido comigo, ela falava “comigo também aconteceu isso, e blá blá blá” e o assunto acabava se tornando o dela. Sempre era assim. Não importava quantas vezes eu tentasse, era impossível. Ela não queria me ouvir. Ela queria só falar dela. E no fim eu desisti.

Se a gente prestar atenção nas conversas, podemos perceber que o mais comum são duas pessoas monologando. Sim, monologando, e não dialogando:

– Esse fim de semana eu fui passear no zoológico com meu filho.

– E eu fui passear na praia.

– Foi muito legal o zoológico, meu filho adorou, pediu para voltar mais vezes.

– Minha filha também amou a praia, disse que quer aprender a nadar para entrar no mar.

Conseguem perceber o monólogo entre duas pessoas? São duas pessoas querendo falar só delas e não querem ouvir.

Em um diálogo, a pessoa perguntaria o que o filho achou do zoológico para a conversa poder evoluir.

Só que a pessoa não está interessada no filho da outra pessoa. Ela só quer falar que fez coisas legais também no fim-de-semana. E aí são duas pessoas surdas conversando, e por mais triste que isso possa parecer, é muito mais comum do que pensamos.

Meu marido gosta muito de fazer alguns experimentos enquanto conversa com as pessoas.

Um desses seus experimentos me chama muito a atenção por comprovar como as pessoas não estão mais interessadas em ouvir, só em falar de si mesma.

Durante a conversa, ele costuma falar “tem três coisas que mudaram a minha vida…”. Ele começa falando as duas coisas que mudaram a vida dele, e ele não fala a terceira de forma proposital. Se a pessoa estiver prestando atenção e interessada no que ele está falando, a pessoa perguntaria “E qual é a terceira coisa?”. E sabe o que é mais incrível? Praticamente ninguém faz essa pergunta, comprovando que as pessoas não estão ouvindo, só estão aguardando o momento certo para abrir a boca para falar delas mesmas.

É muito narcisismo. Eu quero ter pessoas ao meu redor que saibam dialogar comigo. Quero conviver com pessoas que ouvem e que eu também possa ser ouvida quando precisar.

~ Yuka ~

 

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Planejando viagens minimalistas

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A leitora Isabele me perguntou como eu planejo as viagens e como consigo driblar os pontos turísticos caríssimos.

Depois que eu engravidei duas vezes, eu e meu marido demos uma pausa nas viagens, principalmente as internacionais, por 2 motivos: o primeiro é que as crianças são muito pequenas e gostaríamos que elas lembrassem dessas viagens (apesar de saber que muitos pais pensam justamente o contrário, de aproveitar agora, já que as crianças pagam menos na passagem de avião). O segundo é que eu poderia até pedir para a minha mãe ficar com as crianças e viajar com o meu marido, mas a caçula, ainda não aprendeu a dormir a noite toda. Ela tem um sono muito leve, e tem dado trabalho. Bem diferente da minha filha mais velha, que mesmo se estiver com a cama toda cheia de xixi, não acorda por nada. Então decidimos esperar mais um pouco, até que as coisas se acertem.

Dito isso, vou contar das minhas experiências antes das meninas nascerem.

As minhas viagens costumam ser muito bem planejadas. Depois que escolho o lugar, a primeira coisa que faço é começar a acompanhar o preço das passagens de avião e da acomodação. Para baratear a viagem, sigo os seguintes passos:

1. Acompanhar o preço das passagens por longos meses:

Acompanhe os preços das passagens por pelo menos 3 meses. Costumo pesquisar em sites como o Decolar.com, Maxmilhas, que fazem a pesquisa e comparam preço em diversas companhias aéreas. Quando encontro um preço razoável nesses sites de comparação, costumo ir direto no site da empresa para ver se há preços melhores. Depois de decidir por qual companhia aérea viajar, analiso de que forma consigo aumentar o desconto. Por exemplo, se resolvo comprar pelo Maxmilhas, faço o seguinte caminho:

  • Entro no Méliuz e vejo se o Maxmilhas está dando algum dinheiro de volta (Méliuz é um site que devolve parte do dinheiro gasto. Hoje, por exemplo, está sendo informado que devolvem 4% do valor gasto no Maxmilhas). Se sim, faço a compra, nisso já ganho 4% de desconto do valor total da compra.
  • O Maxmilhas possui vantagens para quem tem o cartão Nubank. Então com isso consigo mais pontos, que depois poderão ser apagados da fatura.
  • Na hora do pagamento, parcelo em 12 vezes sem juros no cartão de crédito do Nubank, e depois antecipo todas as parcelas. Assim, ganho mais 4,50% de desconto pelo Nubank.

Então além de conseguir comprar a passagem mais barata por ter pesquisado o preço por alguns meses, acabo ganhando pontos e descontos por causa do Méliuz e Nubank.

Costumávamos viajar em períodos que não coincidissem com férias escolas, ou seja, evitávamos os meses de janeiro, fevereiro, julho e dezembro que são mais caros.

Também nunca compramos pacotes de viagens em agências de viagens. Eu mesma comparo e compro a passagem de avião, a acomodação e vejo os passeios que quero fazer, pois isso faz com que a viagem tenha o meu ritmo.

2. Fazer uma lista do que levar na mala:

Sim, uma lista. E essa lista começa alguns meses antes. Essa é a lista que possibilita que eu leve poucas coisas, pois consigo combinar roupas, programar o que vou usar e o que não vou levar.

3. Fazer um roteiro turístico:

Comprado a passagem, agora é hora de fazer um roteiro. Roteiro é essencial para quem quer aproveitar bem uma viagem. Imagine ter passeado em um bairro o dia inteiro, e descobrir depois que deixou de conhecer um lugar interessantíssimo? É nesse roteiro que eu já faço a pesquisa dos valores dos lugares que quero visitar: ingressos, transporte, etc e já faço uma estimativa de quanto gastarei durante a viagem.

4. Ser flexível:

Isso significa que se a fila para conhecer um determinado lugar estiver com uma fila gigantesca, não se acanhe em desistir. Não tem problema se você não visitar o lugar. Eu mesma prefiro não me estressar, divertir na viagem, do que ficar com aquela obrigação de ter que conhecer um lugar só porque é turístico. Tenho consciência de que a viagem é para mim, e não para provar para terceiros que estive em tal lugar.

5. Conhecer a culinária local:

Eu sempre gostei de comidas de rua. Aqui em SP, comia o churrasco grego (para o terror da maioria dos meus amigos hahaha), o hot dog prensado, o churrasquinho do tio da esquina, tapioca e por aí vai. Depois da onda do Food Truck, minha paixão continuou: hambúrgueres, comida mexicana, massas, nhac nhac nhac….. Então quando viajo, nada mais natural do que sair experimentando as comidas de rua. Isso significa que alterno entre restaurantes e food trucks, o que acaba barateando bastante na alimentação.

6. Esquecer os souvenirs:

Eu não ligo para souvenirs, nem tenho fascinação em comprar algo do lugar que viajo. Muitas pessoas aproveitam para comprar roupas, bolsas, sapatos, relógios, maquiagens… mas eu não. Por isso viajo com a minha mala pequena, porque sei que vou voltar com ela com praticamente a mesma quantidade de coisas que fui viajar. Já contei no outro post que fui pra Amsterdã, na Holanda e voltei só com 1 cadeado de bicicleta, né? Essa sou eu.

7. Aproveitar os descontos para turistas:

Geralmente, as cidades possuem um ticket mensal ou semanal para turistas andarem de trem, metrô, ônibus, que vale muito a pena comprar. Por exemplo, quando fui para o Japão, eu comprei um ticket chamado Japan Rail Train, disponível somente para turistas. Esse ticket, depois de comprado, possibilita que o turista use todas as linhas ferroviárias, metroviárias e linhas de ônibus de uma determinada empresa, quantas vezes desejar. Pra mim, compensou muito ter esse ticket. Tem diversos passeios turísticos que podem ser comprados com antecedência, por um preço mais em conta. Vale a pena pesquisar antes.

8. Celular descarregado? Nunca mais!

Eu tenho uma bateria recarregável portátil. Consigo recarregar meu celular várias vezes ao dia, sem a necessidade de ter que ficar procurando uma tomada (correndo o risco de esquecer em algum lugar).

9. Comunicação com os amigos e família:

Eu faço somente pelo whatsapp. Tem gente que habilita o uso do celular para uso no exterior, mas eu nunca fiz, e nunca senti falta. Se tenho o ano inteiro para falar com as pessoas, por que escolher justamente durante a viagem?

10. Ter folgas na agenda:

Deixo para conhecer somente alguns pontos turísticos por dia. Gosto de deixar o dia livre, não gosto de entupir o dia com programações, justamente para não me sentir sufocada. Férias é para ser leve e livre, e não para correr atrás do relógio e da agenda.

11. Não conhecer tudo de uma vez:

As cidades possuem muitas coisas interessantes para ver e visitar. Existem muitos pacotes a venda como “Conheça a Grécia, Turquia e Egito em 3 dias”, “Roma, Paris e Londres em 5 dias”. Eu gosto de conhecer um único lugar de cada vez. Gosto de explorar ao máximo, visitar com calma um único país (ou dependendo, uma única cidade).

E o mais importante, não se esquecer nunca que a verdadeira viagem se faz na memória.

~ Yuka ~

Minimalismo e vaidade: como administrar

maquiagem minimalista

Uma leitora me pediu um post sobre minimalismo nos cuidados pessoais.

Aqui no Brasil, fomos acostumadas desde a infância com a ideia de que é normal as pessoas nos servirem e a terceirizar alguns serviços por considerarmos barato. E isso se reflete também nos cuidados pessoais: manicure, pedicure, hidratação no cabelo, escova de cabelo, limpeza de pele, sobrancelha, depilação, esfoliação da pele, massagem relaxante. Acho legal ir no salão de vez em quando para dar um mimo para nós mesmas, mas não vou com frequência, pois acredito que consigo me cuidar de casa.

Vou compartilhar aqui o que tem funcionado pra mim.

UNHAS

Eu aprendi a fazer as unhas em casa. No início arrancava uns bifes, mas depois de um tempo, passei a fazer melhor do que as próprias manicures.

DEPILAÇÃO

Há alguns anos, eu comprei um pacote de depilação à laser por um preço muito barato, naqueles sites de compra coletiva. Como são 10 sessões, e as sessões vão ficando espaçadas porque os pelos vão nascendo cada vez menos, eu ainda tenho algumas sessões para fazer.

LIMPEZA DE PELE

Eu acabo fazendo em casa mesmo, uso um esfoliante, e alguns truques caseiros como usar gelatina incolor para tirar cravos (que funciona de verdade!!!). O legal é ir testando algumas receitas caseiras, muitas coisas funcionam super bem.

CABELO

Atualmente, não pinto mais o meu cabelo, mas tinha uma época da adolescência que eu pintava de vermelho em casa. Claro, tudo na vida tem um limite, e a gente tem que descobrir o nosso limite. Se você vai pintar de loiro, descolorir, fazer mechas ou algo parecido, eu não tentaria economizar nessa parte, a não ser que eu soubesse exatamente o que eu estava fazendo.

MAQUIAGEM

Eu já fui a louca da maquiagem. Comprava muitas maquiagens, e o pior, tinha encasquetado nas maquiagens gringas. Era M.A.C., Givenchy, Clinic, Artdeco, Dior, Shiseido… haja dinheiro.

Não contente em comprar 1 blush, comprava 4, 6 blushes, e demorava anos para terminar de usar, isso quando jogava no lixo por causa da validade dos produtos. O mesmo acontecia com as bases, hidratantes e esmaltes.

Hoje, posso dizer que ainda gosto muito de determinadas marcas, e continuo comprando. Só que eu compro 1 produto de cada vez, como explico nesse post. Se eu quero comprar um delineador, eu espero terminar o que estou usando no momento, para depois comprar. No início foi difícil fazer disso um hábito, mas hoje me acostumei. Nem preciso dizer que estou economizando muito dinheiro com isso, né?

Outra coisa que me ajudou MUITO, foi deixar de seguir as blogueiras do YouTube. Sério, não saber os produtos lançados todos os meses, ajudou muito a não ter vontade de comprar. Se assistiu um canal do YouTube e encontrou um batom com uma cor irresistível? Ótimo, coloque na sua PRÓXIMA lista de compras. Quando o seu terminar, vai lá e compra.

ROUPAS

Eu tenho roupas que gosto de verdade. Quando se tem roupas boas, de qualidade, bom caimento, boa costura, que são macias e que nos deixam bonitas (e que não necessariamente são caras), começamos a entender que não precisamos ter um guarda-roupa abarrotado. Antes, eu tinha muitas roupas, mas eram roupas compradas em promoção, ou que tinha visto em um catálogo e que ficava lindo (na modelo, óbvio, não em mim), ou comprava porque “não estava fazendo nada”.

Se antes eu tinha 300 peças de roupas (ou até mais, se duvidar…) e me sentia insatisfeita com o meu guarda-roupa, e hoje tenho poucas roupas e me sinto satisfeita, é porque eu tenho um guarda-roupa adequado para mim. Tenho calças que me deixam bem, camisas boas e confortáveis que nem preciso passar a ferro (olha que maravilha), vestidos, etc.

Para chegar a este ponto, eu precisei me conhecer melhor. Qual é a tonalidade da minha pele? Quais são as cores que combinam comigo? Quais são as cores que as pessoas geralmente elogiam quando estou usando? E assim, fui fazendo uma lista do que considerava um guarda-roupa ideal. Com a lista pronta, fui eliminando do meu guarda-roupa todas as peças que não faziam mais sentido e complementando com as que eu ainda não tinha. E foi assim que aos poucos construí um guarda-roupa minimalista.

Outro dia uma colega que trabalha comigo falou que meu trench coat era lindo e perguntou onde eu tinha comprado. Ela ficou surpresa quando eu falei que não era novo e que já estava comigo há 6 anos. E ainda parece novo!

Hoje não sinto necessidade de sair comprando roupas, nem seguir tendências.

SAPATOS

Utilizo o mesmo critério das roupas. Eu não tenho 5 botas pretas. Só tenho 1. Não tenho 5 sapatos pretos. Só tenho 1. E assim por diante.

Aqui tem um post publicado há alguns meses sobre como ter um guarda-roupa minimalista. Vale a leitura.

Resumindo…

As coisas que eu consigo fazer em casa, eu mesma faço. Uma das poucas coisas que eu pago para alguém fazer é cortar o cabelo e ir no podólogo de vez em quando. De resto, eu continuo comprando as coisas que quero comprar, independentemente do preço, mas não acumulo mais. Eu continuo usando os batons da M.A.C. porque gosto da textura, da mesma forma que continuo importando do exterior a base para pele de uma marca coreana, porque gosto da tonalidade na minha pele.

Se compro um hidratante, uso até o fim. Se compro um delineador, uso até o fim para somente quando estiver bem no finzinho, comprar um novo.

Então posso dizer que hoje, estou rodeada com as maquiagens que gosto, com as roupas que gosto, com a bolsa que gosto, com os sapatos que gosto, e não deixo de me cuidar, só porque não frequento salão de beleza. É desta forma que tenho administrado a minha vaidade com a vontade de gastar.

~ Yuka ~

 

 

Mesada na fase adulta: um método para ter educação financeira

Woman Putting Coin In Piggy Bank

Aqui em casa, desde que eu e meu marido começamos a morar juntos, decidimos que todo o dinheiro que entrasse em casa seria nosso, e não meu ou dele. Isso significa que o meu salário é nosso, o salário dele é nosso, o meu vale-alimentação é nosso, o meu décimo terceiro salário é nosso, e assim por diante.

A partir do momento que nosso salário virou “proventos da família”, percebemos que não teríamos mais dinheiro individual. E aí surgiu a ideia de termos uma mesada.

Sim, mesada. Mesada na fase adulta.

Funciona da seguinte forma:

Todos os meses, quando recebemos o nosso salário no início do mês, somamos os proventos e pagamos todas as contas: conta de luz, gás, aluguel do apartamento, condomínio, plano de saúde, fatura do cartão de crédito etc. Depois, cada um separa uma parte para os gastos do celular, transporte (no caso, metrô) e finalmente, a mesada. O que sobra na conta, é tudo destinado aos nossos investimentos.

Na prática, é assim: meu marido recebe o salário, separa a parte que lhe cabe (celular, transporte e mesada) e transfere tudo para mim. Eu pago todas as nossas contas, separo o que é meu (celular, transporte e mesada) e transfiro tudo para os nossos investimentos. É bem prático e fácil.

Essa mesada, que é uma porção bem pequena do nosso salário, pode ser gasto no que a gente quiser.

Meu marido é o que fica mais feliz com a mesada. Fala com um brilho nos olhos e com uma emoção de que nunca na vida tinha ganhado uma mesada.

Sinto um pouquinho de vergonha quando estamos numa cafeteria e ele cisma que quer pagar pra mim, e acaba falando em voz alta e empolgante “pode deixar que eu vou pagar com a minha mesada!!!”. Afeeeee eu peço pra ele ser discreto, ninguém precisa saber que ele tem uma mesada com quase 40 anos de idade.

A nossa mesada não recebe reajustes anuais há pelo menos 4 anos, o que já virou até um desafio entre nós. Para nós, o valor está ok, não passamos vontade, nem necessidade. A decisão de não fazer reajustes no valor da mesada, é porque além de não sentirmos necessidade, temos o projeto de alcançar a independência financeira o mais rápido possível. Sabemos que quanto mais a mesada for gorda, mais futilidades iremos comprar (entenda como futilidade, coisas que não estamos precisando).

Como nós somos bem frugais, o mais incrível é que sobra mesada. E aí acabamos gastando na pipoca que a nossa filha quer comer na rua, num almoço com amigos, nos passeios de fins-de-semana com a família. Meu marido adora pastel e chama os amigos para almoçar pastel toda semana. Já eu, gosto de passear na 25 de março e ficar comprando quinquilharias e matéria-prima para fazer artesanatos.

Claro, às vezes queremos comprar coisas um pouco mais caras que a mesada do mês não supre. Nesses casos, ou pagamos com o “dinheiro da casa” e fica como um presente, ou parcelamos para que a compra caiba no orçamento da mesada.

Tem sido muito bom cada um ter um dinheiro livre para gastar, sem ter que ficar dando satisfação ao outro. Nós temos consciência de que esse sistema de mesada é o que tem nos proporcionado a oportunidade de fazer investimentos volumosos todos os meses.

~ Yuka ~

Gaste dinheiro onde você gasta tempo

dinheiro tempo

Apesar de gostar de economizar, também gosto de gastar bem, principalmente onde gasto bastante parte do meu tempo.

Geralmente, quando compro algo, costumo avaliar quanto tempo usaria aquele determinado item por dia.

Na minha cabeça, funciona da seguinte forma: não compensa comprar algo caro, se sei que vou usar somente algumas vezes por semana ou por mês.

Gosto de comprar coisas de qualidade e de conforto para os itens onde gasto tempo da minha vida.

Alguns itens onde gasto um pouco mais em prol do conforto:

Cama

Das 24 horas por dia, quanto tempo passamos dormindo na cama? 6 horas? 8 horas? São muitas horas por dia. Ao invés de comprar um colchão “maomeno”, prefiro comprar um de qualidade, principalmente porque alguns colchões possuem durabilidade superior a 10 anos.

Celular

Quanto tempo passamos olhando para o celular? Eu confesso que passo bastante tempo. Não só navegando na internet, mas principalmente porque toda a minha rotina de organização está dentro do meu celular. Eu uso a agenda, o bloco de notas, listas, aplicativos que me auxiliam nas finanças pessoais, aplicativos de bancos, tudo sincronizado e organizado para não me perder. Ouço audiobooks e assisto conteúdos para meu aprimoramento pessoal no YouTube. Então prefiro ter um celular de minha preferência, mesmo que o valor seja um pouco mais elevado. Outro dia uma colega insinuou que meu celular era muito caro. E eu perguntei para ela quantas vezes ela já tinha trocado o celular nos últimos 5 anos? Duas, três vezes? Eu não troquei nenhuma vez. Funciona perfeitamente e pretendo ficar com ele por mais alguns anos. Agora, se fizer os cálculos, quem está gastando mais no celular, eu ou ela? Tenho certeza que não sou eu.

Sapato

Sapato é uma coisa que eu parei de economizar. Na verdade, durante anos da minha vida, como minha mãe não tinha dinheiro, eu usava muito sapato ganhado. Quem usou ou usa roupas doadas sabe que tamanho é a última coisa que a gente pode reclamar. Ou seja, apesar do meu pé ser do tamanho 36, eu usava 35, 37 e até 38. E isso machucava demais o meu pé. Depois que comecei a ganhar o meu próprio salário, passei a comprar sapatos confortáveis que possuem um preço justo. Como não tenho zilhões de pares de sapatos, gosto de comprar os que considero bonitos e confortáveis.

Fogão, frigideira, etc.

Fogão é outra coisa que eu não economizo. Durante anos, usei aqueles fogões mais baratos, onde a chama do fogo era bem irregular. Nem sei quantas vezes a chama do forno havia se apagado sem eu perceber, enquanto estava assando um bolo. Também passei a usar frigideiras boas, e essa combinação frigideira vs fogão é tudo de bom. É uma das coisas, que se bem cuidada, duram mais de 10 anos.

Sofá

Outra coisa que me deixa feliz é quando sento no meu sofá. Antes, eu tinha um sofá de 2 lugares, pequeno, que era suficiente só para mim. Depois meu marido chegou, casei, e o sofá pequeno continuou entre nós durante muitos anos. Quando a minha primeira filha nasceu, o sofá ainda estava lá, mas já achávamos pequeno demais. Hoje temos um sofá bem grande, que cabe 4 pessoas lindamente (na verdade dá para sentar umas 6 pessoas). Fofo como deve ser, grande e confortável, vai durar muitos e muitos anos.

Eletrônicos

Costumo comprar eletrônicos como televisão, computador, bateria, de marca reconhecida. Essa semana um colega estava falando que acabou queimando um celular novinho, porque tinha comprado uma bateria recarregável de marca duvidosa. Além de ter perdido dinheiro com a bateria que não funciona, queimou o celular. Duplo prejuízo.

Esses são os itens que eu definitivamente não gosto de economizar. Em todos os outros lugares, eu penso duas vezes antes de gastar demais.

~ Yuka ~

Mottainai: uma filosofia japonesa sobre desperdício

mottainai

Não posso dizer muito sobre a cultura de outros países, mas sei que Japão e Alemanha possuem uma cultura bem forte de evitar o desperdício.

Aqui no Brasil, percebo que as pessoas julgam (mal) quem luta contra o desperdício. É mais bem visto deixar sobras de comida no prato do restaurante, do que pedir para embrulhar para levar para a casa. É mais estiloso comprar uma bermuda nova, do que transformar aquela calça velha em uma bermuda. É mais fácil jogar fora a camiseta manchada, do que tingir com uma cor escura e continuar usando por mais alguns anos. É melhor avaliada a pessoa que sempre vem trabalhar com roupas diferentes, do que aquela que sempre vem com as mesmas roupas.

No Japão, existe uma palavra que eu gosto muito: mottainai.

Ela não possui tradução para o português, mas no Wikipedia, tem um trecho em que Hitoshi Chiba, autor do documentário Restyling Japan: Revival of the ‘Mottainai’ Spirit, tenta explicar um pouco sobre o conceito:

Muitas vezes ouvimos no Japão a expressão mottainai, que vagamente significa “desperdício”, mas em seu sentido pleno transmite um sentimento de temor e apreço pelas graças da natureza ou a conduta sincera de outras pessoas. Existe uma característica entre os japoneses de tentar usar algo por toda a sua vida efetiva ou continuar a usá-lo por repará-lo. Nesta cultura de carinho, as pessoas vão se esforçar em encontrar novas casas para posses que eles não precisam mais. O princípio mottainai estende-se à mesa de jantar, onde muitos consideram rude deixar mesmo um único grão de arroz na tigela.

No eCycle também tem uma definição bem legal:

As práticas que integram o espírito mottainai podem ser adotadas por qualquer um. São ações simples que evitam o desperdício de todo e qualquer recurso. Um pequeno gesto muito valorizado no Japão (e que é um primeiro passo para incluir o mottainai em sua vida) é não deixar nem um grão de arroz no prato (pegue porções pequenas; se não for suficiente, repita, mas não jogue comida fora). O Japão enfrentou períodos muito difíceis, como guerras, fomes e terremotos, e se desenvolveu em um território com recursos naturais escassos. A prática do mottainai foi essencial para a sobrevivência e para o crescimento do país, sendo uma das bases da cultura japonesa. O espírito ecológico e a prática da sustentabilidade, assim como o consumo sustentável, são formas de adotar o mottainai como filosofia de vida. Qualquer país iria se beneficiar ao seguir o exemplo do Japão, mas adotar o mottainai não precisa ser uma ação institucional. Na própria cultura japonesa foram as pequenas ações cotidianas (resultado de privações) que fizeram do mottainai um estilo de vida adotado por todo o país.

O mottainai não é apenas sobre desperdício de comida, de roupa, de dinheiro. É sobre desperdício de tempo, de talento, de oportunidades.

Podemos dizer mottainai, quando estamos jogando comida fora, pois esse alimento poderia estar alimentando outra pessoa que está passando fome neste exato momento.

Podemos dizer mottainai, quando estamos desfazendo de uma roupa que ainda está em condições de uso, mas que não queremos mais usar, porque simplesmente enjoamos.

Podemos dizer mottainai, quando percebemos que uma pessoa é completamente desorganizada. Dá uma sensação de que está desperdiçando tempo precioso da vida fazendo coisas desnecessárias.

Podemos dizer mottainai, quando há talento desperdiçado. Aquela pessoa que você enxerga um talento incrível fazendo coisas repetitivas de escritório.

Como vê, o conceito mottainai é muito mais profundo e belo, onde nada mais é do que uma filosofia que promove o respeito à vida.

~ Yuka ~

As 10 lições que a minha mãe me ensinou sobre o dinheiro

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Quando meu pai morreu ainda jovem, tudo ficou muito difícil para a minha mãe. Ela, que até então era dona de casa, teve que aprender uma nova profissão para sustentar a família e criar as suas 3 filhas de 1, 3 (eu) e 5 anos.

Há várias lições que ela ensinou. Dentre as mais notáveis, são elas:

1.) Não ter vergonha do passado

Em um período muito difícil, logo após o falecimento do meu pai, minha mãe não tinha dinheiro para comprar comida. Meu pai morreu de leucemia, e minha mãe tinha gastado todo o dinheiro de suas economias tentando salvá-lo. Sim, teve uma época que para ela foi bem complicado. Ela pegava os alimentos que eram descartados na feira, próprios para consumo, mas não apresentáveis para venda. Tanto eu como ela, temos orgulho do nosso passado difícil. As dificuldades que enfrentamos é o que gera o sentimento de gratidão pelas pequenas coisas.

2.) Saber que nada dura para sempre

Nada dura para sempre. Nem as coisas boas, nem as coisas ruins. Ela sabia disso. E usou essa frase como um mantra para se reerguer.

3.) Não é feio passar necessidade: feio é viver ostentando hoje para depois passar necessidade no futuro

Minha mãe conheceu diversas pessoas com uma renda considerável, mas que se endividaram depois de alguns anos. Ela conheceu pessoas que tiveram que sair do apartamento de alto padrão que moravam, porque as empresas que possuíam decretaram falência. Ela sempre explicou a importância de poupar uma parte do nosso dinheiro para os períodos de vaca magra. A vida é feita de ciclos e da mesma forma que há períodos de fartura, há períodos difíceis. Não é SE um dia acontecer, mas QUANDO acontecer. Por isso, para ela era tão importante poupar para se preparar para o dia incerto de amanhã.

4.) Me ensinou a importância de poupar através da dor (já que pelo amor eu não aprendia)

Na época da faculdade, minha mãe depositava dinheiro na minha conta todos os meses. Como eu estudava no interior de São Paulo, o dinheiro deveria (teoricamente) servir para me alimentar durante o mês, pagar a pensão, o transporte, material escolar, passagem de ida e volta para visitá-la, e ainda sobrar para poupar. Deveria… mas eu gastava tudo. E toda vez que o dinheiro faltava, eu ligava para ela pedindo para depositar mais um pouquinho. Foi assim durante 3 anos. Até que em um mês fatídico, ela falou que não iria mais depositar o dinheiro, porque estava cansada de falar todos os meses para eu poupar e desligou o telefone. Meu Deus! Naquele mês, vivi todos os dias com muita emoção! Como eu iria me alimentar? Tive que vender minhas roupas, meus eletrônicos, vendi tudo que foi possível. Passei cerca de 2 semanas comendo só arroz e pão, que eram as únicas coisas que eu conseguia comprar. Depois desse susto, eu aprendi a importância de guardar dinheiro e nunca mais parei. Valeu a pena heim, mãe! rs

5.) Não faça dívidas. Nunca!

Isso significa viver com o dinheiro que temos. Mesmo na fase difícil, onde nós fomos transferidas de uma escola privada para pública (e permanecemos até o colegial), mesmo quando meu tio insistiu em pagar as mensalidades de nós 3 para que continuássemos na mesma escola, minha mãe não quis viver com o dinheiro que não era dela, nem fazer dívidas. Resolveu baixar (e muito!) o padrão de vida de acordo com o que era possível. Como na época, o possível era o impossível, significou vivermos com muito, muito pouco.

6.) Pense na aposentadoria

Quando ela era mais nova, olhava para as pessoas que tinham uma vida confortável e sempre pensava “será que um dia vou conseguir chegar a ter esse estilo de vida?”. Depois de algumas décadas, a vida pregou uma peça e muitas das pessoas que viviam de forma confortável, atualmente, estão passando necessidade. E a minha mãe, que sempre foi econômica e disciplinada, hoje vive uma vida confortável.

7.) Tenha várias rendas

Mesmo sem completar o estudo, minha mãe soube praticar isso. Ela possui diversas rendas como o INSS, a previdência privada, o aluguel de imóvel, etc.

8.) Não depender de alguém para fazer as suas próprias coisas

Nem sei se ela lembra dessa história. Quando eu tinha uns 6 anos, lembro que o pneu do nosso carro tinha furado. Um homem muito gentil, vendo uma mãe com 3 filhas pequenas, se ofereceu para trocar o pneu. Só que ela, muito teimosa, não deixou. O homem comentou “sua mãe é bem orgulhosa heim”, e ela pediu para entrarmos no carro imediatamente. Já dentro do carro, explicou o motivo: “não dependa de alguém para fazer as suas próprias coisas”.

9.) Não subestime a outra pessoa pela aparência

Outro exemplo interessante é que minha mãe conheceu um catador de papelão que morava em um apartamento de luxo. Ele trocava de roupa na hora de trabalhar, ou seja, usava roupas surradas para puxar seu carreto. As pessoas achavam que ele passava necessidade, mas na verdade, ele tinha uma vida muito confortável. A lição é nunca julgar as pessoas pela aparência.

10.) O poder da criatividade

  • Durante muitos anos, eu vi a minha mãe trazendo móveis da rua, jogados no lixo. Ela trazia os móveis, lixava, pintava, literalmente transformava o móvel sujo e esquisito em um móvel digno para se colocar no centro da sala de estar. Vi uma porta velha se transformar na nossa mesa de estudo e também em uma mesa de ping-pong, vi o tampo de uma mesa redonda se transformar em um aparador meia lua para o hall de entrada.
  • Por não querer mais morar em um prédio mal cuidado, decidiu que iria ser síndica e transformou o lugar: criou vagas de garagem para carros, antes inexistentes, criou um jardim, dividiu o hall em entrada e de serviço, reformou elevadores, trocou as janelas e a fachada do prédio, além de melhorias invisíveis como reforma da caixa d’água entre outros.
  • Por ela não ter dinheiro, aprendia olhando o serviço dos outros. Foi assim que aprendeu a pintar paredes, usar a furadeira, instalar armários, trocar chuveiro, consertar pequenos problemas elétricos, costurar etc. Com criatividade e boa vontade, dá para conseguir muita coisa.

Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir. ~ Cora Coralina ~

~ Yuka ~